No momento mais crítico, 1,1 milhão de consumidores foram afetados. Quedas de árvores danificaram a rede elétrica e dificultaram o trabalho das equipes.
Cerca de 320 mil clientes da Light permaneciam sem energia elétrica nesta quinta-feira (30), após o forte vendaval que atingiu o Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira (29).
Segundo a concessionária, aproximadamente 1,1 milhão de consumidores chegaram a ser afetados no momento mais crítico da ocorrência. Com o trabalho das equipes em campo, o número foi reduzido em cerca de 70%.
Entre os bairros mais atingidos estão Campo Grande, Bangu, Anchieta, Tijuca, Catumbi, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio dos Bandeirantes.
A falta de energia provocou prejuízos, alterou rotinas de trabalho e afetou moradores que dependem de elevadores, eletrodomésticos e medicamentos refrigerados.
Mais de 2 mil profissionais trabalham na recuperação da rede
A Light informou que ampliou o número de equipes operacionais mobilizadas. Mais de 2 mil funcionários participam dos trabalhos de reparo e reconstrução da rede elétrica.
A empresa também intensificou o monitoramento do sistema para localizar os pontos danificados e realizar o restabelecimento com segurança.
Em algumas regiões, porém, os reparos são mais complexos. As equipes precisam substituir postes, recuperar estruturas elétricas e retirar árvores ou galhos que permanecem sobre a fiação.
Segundo a concessionária, os profissionais seguem trabalhando de forma ininterrupta e concentram os esforços nas áreas mais afetadas.
Temporal derrubou 220 árvores na cidade
O vendaval provocou a queda de 220 árvores no município do Rio de Janeiro, conforme as informações divulgadas pela Light.
Parte delas atingiu diretamente a rede elétrica. Além disso, objetos lançados pelos ventos alcançaram fios, postes e equipamentos, provocando desligamentos em diferentes regiões.
A presença de árvores sobre a fiação também dificulta o acesso das equipes. Em algumas situações, a rede só pode ser reparada depois que os órgãos responsáveis realizam a remoção segura dos troncos e galhos.
Os ventos fortes ainda causaram bloqueios em vias, congestionamentos e interrupções nos sistemas de transporte público.
Moradores relatam prejuízos e mudanças na rotina
Na Glória, zona sul do Rio, a jornalista Ana Letícia Ribeiro ficou sem energia desde o início do vendaval.
Sem eletricidade e conexão com a internet, ela não conseguiu trabalhar de casa e precisou se deslocar até o local de trabalho. Apesar de morar perto, a jornalista relatou prejuízos e preocupação com possíveis danos aos aparelhos eletrônicos.
Ana Letícia também afirmou que já enfrentava um problema elétrico no apartamento e temia que as oscilações provocadas pelo temporal tivessem agravado a situação.
No Andaraí, na zona norte, a psicóloga Márcia Coelho ficou sem energia desde as 16h30 de quarta-feira. O fornecimento foi retomado apenas próximo das 10h desta quinta-feira.
Idosos e pacientes tiveram dificuldades em prédios sem elevador
A falta de eletricidade afetou principalmente moradores de edifícios que dependem de elevadores.
Márcia relatou que idosos precisaram utilizar as escadas, enquanto pessoas doentes ou acamadas enfrentaram dificuldades para deixar os apartamentos.
Sem energia, também não foi possível utilizar eletrodomésticos, aquecer alimentos ou tomar banho com água quente. A moradora ainda temia a perda dos produtos armazenados na geladeira.
Os transtornos começaram antes mesmo de ela chegar em casa. Serviços de trem e metrô foram interrompidos, os pontos de ônibus ficaram lotados e as quedas de árvores provocaram desvios e engarrafamentos.
A psicóloga deixou a Ilha do Governador por volta das 17h30 e só conseguiu chegar ao Andaraí perto das 20h30.
Medicamentos refrigerados preocupam moradores
Também na zona norte, a profissional de educação física Ana Carolina Vieira permanecia sem energia desde as 16h20 de quarta-feira.
Ela relatou preocupação com alimentos e medicamentos que precisam ser mantidos sob refrigeração.
Segundo Ana Carolina, os contatos realizados com a concessionária resultaram em mensagens automáticas sobre os danos provocados pelo vendaval, mas sem uma estimativa para o restabelecimento do serviço em sua região.
A situação representa um risco maior para pessoas que armazenam insulina e outros medicamentos sensíveis à temperatura.
A orientação é procurar o fabricante, um farmacêutico ou uma unidade de saúde antes de utilizar medicamentos que tenham permanecido por longos períodos fora das condições adequadas de armazenamento.
Enel mantém 130 mil clientes sem energia
Nas áreas atendidas pela Enel, mais de 100 mil consumidores também continuavam sem eletricidade nesta quinta-feira.
A concessionária informou ter normalizado o fornecimento para 83% dos clientes afetados. No entanto, cerca de 130 mil ainda aguardavam o restabelecimento, número equivalente a 4,2% das unidades atendidas pela empresa no estado.
A região Sul Fluminense registrou os maiores impactos, principalmente nos municípios de Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba.
Dezenas de árvores caíram sobre ruas e rodovias nessas localidades, danificando a rede e dificultando o acesso das equipes aos pontos de atendimento.
Concessionária triplicou equipes nas ruas
A Enel informou que triplicou o número de equipes em campo e realiza manobras remotas para agilizar o retorno da energia.
Os profissionais atuam tanto na recomposição da rede quanto na desobstrução de vias atingidas por árvores e galhos.
A empresa também mobilizou veículos, equipamentos e técnicos adicionais para atender às ocorrências relacionadas aos fortes ventos.
Apesar do reforço, não foi apresentada uma previsão única para a normalização completa do serviço em todas as regiões atingidas.
População deve evitar fios e estruturas danificadas
As concessionárias orientam que moradores não se aproximem de fios caídos, postes inclinados ou estruturas elétricas danificadas.
Mesmo quando aparentam estar desligados, os cabos podem continuar energizados. A corrente elétrica também pode atingir o solo, portões metálicos, cercas e áreas molhadas.
Em caso de risco, a orientação é manter distância e acionar imediatamente a distribuidora de energia ou o Corpo de Bombeiros.
A Light atende emergências pelo telefone 0800 021 0196, além do aplicativo, da agência virtual e do WhatsApp (21) 99981-6059.
Com informações de Agência Brasil
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