Profissionais relatam meses sem receber por serviços prestados na rede estadual. Governo afirma que trabalha para regularizar os repasses.
Entidades representativas da classe médica cobraram do Governo do Amazonas a regularização de pagamentos atrasados a profissionais que atuam na rede pública estadual de saúde.
Segundo as denúncias, médicos vinculados a empresas e cooperativas contratadas pelo Estado acumulam meses de remunerações pendentes. Algumas categorias afirmam que os atrasos começaram ainda em 2025.
As entidades alertam que a continuidade da situação pode provocar saída de profissionais, dificuldade para preencher escalas e redução da capacidade de atendimento em hospitais, maternidades, unidades de pronto atendimento e Serviços de Pronto Atendimento (SPAs).

Médicos relatam até oito meses sem receber
Relatos reunidos por entidades da categoria indicam que alguns profissionais estariam há cerca de oito meses sem receber integralmente pelos serviços prestados.
Os atrasos atingiriam médicos contratados por empresas terceirizadas e cooperativas responsáveis por fornecer equipes à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas.
Parte dos profissionais atua por plantões e recebe como pessoa jurídica, sem vínculo direto com o Estado. Nesse modelo, o Governo do Amazonas repassa os recursos às prestadoras, que posteriormente efetuam os pagamentos aos médicos.
Uma nota divulgada pela Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética, a Anadem, afirma que os relatos de atrasos se estendem desde o segundo semestre de 2025. A entidade pediu uma resposta imediata do poder público e alertou para os efeitos do problema sobre a assistência oferecida à população.
Situação pode afetar escalas e atendimento
As entidades médicas afirmam que a falta de previsibilidade financeira compromete a permanência dos profissionais nos serviços públicos.
Quando os pagamentos não são realizados, médicos podem reduzir plantões ou deixar as empresas responsáveis pelas escalas. Com isso, unidades que já enfrentam grande demanda correm o risco de trabalhar com equipes incompletas.
A preocupação é maior nos serviços de urgência e emergência, nos quais a presença contínua de profissionais é indispensável.
Além dos prejuízos aos médicos, as entidades alertam que a instabilidade pode aumentar o tempo de espera, provocar sobrecarga das equipes e dificultar a realização de consultas, cirurgias e outros procedimentos.
SPAs estariam entre as unidades atingidas
Médicos que trabalham nos Serviços de Pronto Atendimento de Manaus estariam entre os profissionais afetados pelos atrasos.
Uma das denúncias envolve valores referentes a plantões realizados nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2025 por médicos generalistas vinculados a uma empresa contratada para atender unidades estaduais.
Informações divulgadas anteriormente apontaram que o contrato para o fornecimento desses profissionais foi firmado em julho de 2025, com vigência prevista até 2029 e recursos provenientes do Fundo Estadual de Saúde.
Também foram relatados problemas em unidades como o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, o SPA Alvorada e o Complexo Hospitalar da Zona Norte.
Sindicato acionou órgãos de controle
O Sindicato dos Médicos do Amazonas informou anteriormente que comunicou a situação à Secretaria de Estado de Saúde, ao Ministério Público do Trabalho e ao Tribunal de Contas do Estado.
A entidade também abriu canais para receber denúncias dos profissionais afetados e acompanhar os atrasos.
A mobilização busca estabelecer um calendário para a quitação dos valores e impedir que o problema comprometa o funcionamento das unidades.
Parlamentares também levaram as denúncias a órgãos federais. Foram solicitadas providências ao Ministério da Saúde e à Controladoria-Geral da União, incluindo a fiscalização da aplicação de recursos federais destinados ao SUS no Amazonas.
Governo diz ter destinado recursos para pagamentos
O Governo do Amazonas reconheceu anteriormente a existência de débitos com empresas e cooperativas que prestam serviços à rede estadual.
Segundo informações divulgadas após as primeiras denúncias, mais de R$ 100 milhões teriam sido destinados à regularização de honorários e outros serviços da saúde.
A gestão estadual também afirmou que iniciou negociações com prestadores e cooperativas médicas. Entretanto, as entidades reclamam da ausência de um calendário claro para a quitação de todos os valores pendentes.
Até a publicação das cobranças mais recentes, não havia confirmação de que todos os profissionais afetados já tivessem recebido.
Atrasos envolvem empresas contratadas pelo Estado
O modelo de contratação indireta dificulta a definição imediata das responsabilidades sobre cada pagamento.
As empresas prestadoras afirmam, em alguns casos, que não conseguem pagar os profissionais porque ainda aguardam os repasses do Estado. O governo, por sua vez, pode condicionar os pagamentos à apresentação e conferência de documentos, notas fiscais e comprovações dos serviços executados.
Apesar das etapas administrativas, as entidades defendem que o trabalhador não pode permanecer indefinidamente sem receber por serviços já realizados.
Elas também cobram maior transparência sobre os contratos, os valores pendentes, as competências em atraso e as datas previstas para pagamento.
Problema já havia sido denunciado em maio
As reclamações sobre atrasos na saúde estadual não começaram neste mês.
Em maio, denúncias apresentadas na Câmara Municipal de Manaus apontaram que médicos e outros trabalhadores da rede enfrentavam remunerações atrasadas em diferentes unidades.
Na ocasião, foram mencionados profissionais da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas, da Policlínica Danilo Corrêa e de empresas terceirizadas. Os períodos relatados variavam conforme a unidade e a prestadora responsável.
A repetição das denúncias levou entidades médicas a classificar o problema como recorrente e não apenas como um atraso isolado.
Entidades pedem calendário e solução definitiva
Além do pagamento imediato das competências atrasadas, as organizações defendem a criação de um cronograma regular para os próximos repasses.
A avaliação é que pagamentos emergenciais podem aliviar temporariamente a situação, mas não resolvem a instabilidade enfrentada pelos profissionais.
As entidades também pedem diálogo permanente com a Secretaria de Saúde, transparência sobre a situação financeira dos contratos e medidas para evitar novos atrasos.
Enquanto não houver regularização completa, médicos e representantes da categoria afirmam que continuarão cobrando respostas do Governo do Amazonas e dos órgãos de controle.
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