Milhares de migrantes atravessaram, nesta quinta-feira (30), a fronteira entre Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África.
Grande parte do grupo chegou pelo mar, contornando o quebra-mar de Tarajal a nado. Alguns usaram boias, câmaras de ar e outros equipamentos de flutuação. Outros migrantes teriam escalado ou atravessado estruturas da fronteira terrestre.
As estimativas iniciais apontam que entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram entrar em Ceuta. O número ainda não foi confirmado oficialmente e pode mudar conforme o atendimento e a identificação dos recém-chegados avançarem.
Chegada em massa sobrecarrega forças de segurança
A Guarda Civil espanhola informou que os migrantes estavam entrando em massa pela área marítima de Tarajal.
O volume de pessoas sobrecarregou as equipes responsáveis pela vigilância da fronteira, pelo resgate no mar e pelo atendimento inicial. Imagens divulgadas pela imprensa mostram grupos numerosos chegando às praias e seguindo para diferentes pontos da cidade.
Diante da situação, o governo espanhol mobilizou policiais e recursos militares para apoiar a segurança e as operações de resgate. O presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu mais recursos e a declaração de emergência nacional.
Mortes são registradas durante as travessias
Ao menos dez migrantes morreram durante as tentativas de entrada em Ceuta, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira pela imprensa espanhola.
As mortes ocorreram principalmente entre pessoas que tentavam contornar a fronteira a nado. As autoridades ainda trabalham para identificar as vítimas e verificar se existem outros desaparecidos.
A travessia marítima apresenta riscos elevados, mesmo quando a distância parece curta. Correntes, cansaço, baixa visibilidade e uso inadequado de boias podem causar afogamentos.
Centro de acolhimento enfrenta superlotação
O aumento das chegadas pressionou a estrutura de acolhimento de Ceuta.
O Centro de Estadia Temporária de Imigrantes, conhecido pela sigla CETI, já operava com todas as 512 vagas ocupadas antes da chegada desta quinta-feira. Centenas de pessoas aguardavam atendimento do lado de fora da unidade.
As autoridades precisam identificar os migrantes, verificar a presença de menores desacompanhados e analisar possíveis pedidos de proteção internacional.
Além disso, equipes de saúde e assistência social prestam atendimento a pessoas com ferimentos, sinais de exaustão ou hipotermia.
Número de travessias aumentou nos últimos dias
A chegada desta quinta-feira ocorre após uma semana de forte pressão migratória na região.
Mais de mil pessoas já haviam entrado irregularmente em Ceuta durante os dias anteriores, segundo a emissora pública espanhola RTVE. Na terça-feira (28), mais de 70 migrantes chegaram a nado, enquanto as forças marroquinas impediram que outros 200 completassem a travessia.
Autoridades regionais também informaram que mais de 1,5 mil pessoas haviam alcançado a cidade por mar durante a última semana.
A concentração de tentativas aumentou principalmente nas áreas de Tarajal e Benzú, próximas à costa marroquina.
Migrantes buscam entrada na União Europeia
Ceuta é uma cidade autônoma espanhola localizada no continente africano. Ao lado de Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África.
Por essa razão, as duas cidades são rotas recorrentes para migrantes que tentam chegar ao território europeu.
Ceuta possui cercas, postos de controle e vigilância terrestre e marítima. No entanto, grupos tentam contornar as barreiras pelo mar, principalmente quando as condições climáticas facilitam a travessia.
Entre os recém-chegados estão principalmente jovens marroquinos, embora também haja migrantes de outras nacionalidades, famílias e menores de idade.
Governo espanhol envia reforços
O governo da Espanha anunciou o envio de reforços policiais e militares para ajudar no controle da fronteira e nas operações de resgate.
As medidas incluem o deslocamento de agentes da Guarda Civil, soldados, mergulhadores e uma embarcação militar. A administração central também deve ampliar o apoio ao sistema de acolhimento.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou que pretende visitar Ceuta e acompanhar a resposta das autoridades. A União Europeia também ofereceu assistência à Espanha.
Espanha e Marrocos discutem controle da fronteira
A crise migratória também pressiona a relação entre Espanha e Marrocos.
O controle das saídas depende, em parte, da atuação das autoridades marroquinas na costa e na fronteira terrestre. Fontes de Marrocos atribuíram a movimentação a organizações envolvidas no transporte irregular de pessoas e negaram falta de cooperação com a Espanha.
O episódio lembra a crise de 2021, quando milhares de pessoas entraram em Ceuta após um período de tensão diplomática entre os dois países.
Agora, os governos tentam conter novas travessias enquanto organizam o atendimento às pessoas que já chegaram ao território espanhol.
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