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quarta-feira, agosto 26, 2026

Milhares de migrantes atravessam fronteira entre Marrocos e Ceuta; Espanha reforça segurança

Milhares de migrantes atravessaram, nesta quinta-feira (30), a fronteira entre Marrocos e Ceuta, território espanhol localizado no norte da África.

Grande parte do grupo chegou pelo mar, contornando o quebra-mar de Tarajal a nado. Alguns usaram boias, câmaras de ar e outros equipamentos de flutuação. Outros migrantes teriam escalado ou atravessado estruturas da fronteira terrestre.

As estimativas iniciais apontam que entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram entrar em Ceuta. O número ainda não foi confirmado oficialmente e pode mudar conforme o atendimento e a identificação dos recém-chegados avançarem.

Chegada em massa sobrecarrega forças de segurança

A Guarda Civil espanhola informou que os migrantes estavam entrando em massa pela área marítima de Tarajal.

O volume de pessoas sobrecarregou as equipes responsáveis pela vigilância da fronteira, pelo resgate no mar e pelo atendimento inicial. Imagens divulgadas pela imprensa mostram grupos numerosos chegando às praias e seguindo para diferentes pontos da cidade.

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Diante da situação, o governo espanhol mobilizou policiais e recursos militares para apoiar a segurança e as operações de resgate. O presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, pediu mais recursos e a declaração de emergência nacional.

Mortes são registradas durante as travessias

Ao menos dez migrantes morreram durante as tentativas de entrada em Ceuta, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira pela imprensa espanhola.

As mortes ocorreram principalmente entre pessoas que tentavam contornar a fronteira a nado. As autoridades ainda trabalham para identificar as vítimas e verificar se existem outros desaparecidos.

A travessia marítima apresenta riscos elevados, mesmo quando a distância parece curta. Correntes, cansaço, baixa visibilidade e uso inadequado de boias podem causar afogamentos.

Centro de acolhimento enfrenta superlotação

O aumento das chegadas pressionou a estrutura de acolhimento de Ceuta.

O Centro de Estadia Temporária de Imigrantes, conhecido pela sigla CETI, já operava com todas as 512 vagas ocupadas antes da chegada desta quinta-feira. Centenas de pessoas aguardavam atendimento do lado de fora da unidade.

As autoridades precisam identificar os migrantes, verificar a presença de menores desacompanhados e analisar possíveis pedidos de proteção internacional.

Além disso, equipes de saúde e assistência social prestam atendimento a pessoas com ferimentos, sinais de exaustão ou hipotermia.

Número de travessias aumentou nos últimos dias

A chegada desta quinta-feira ocorre após uma semana de forte pressão migratória na região.

Mais de mil pessoas já haviam entrado irregularmente em Ceuta durante os dias anteriores, segundo a emissora pública espanhola RTVE. Na terça-feira (28), mais de 70 migrantes chegaram a nado, enquanto as forças marroquinas impediram que outros 200 completassem a travessia.

Autoridades regionais também informaram que mais de 1,5 mil pessoas haviam alcançado a cidade por mar durante a última semana.

A concentração de tentativas aumentou principalmente nas áreas de Tarajal e Benzú, próximas à costa marroquina.

Migrantes buscam entrada na União Europeia

Ceuta é uma cidade autônoma espanhola localizada no continente africano. Ao lado de Melilla, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África.

Por essa razão, as duas cidades são rotas recorrentes para migrantes que tentam chegar ao território europeu.

Ceuta possui cercas, postos de controle e vigilância terrestre e marítima. No entanto, grupos tentam contornar as barreiras pelo mar, principalmente quando as condições climáticas facilitam a travessia.

Entre os recém-chegados estão principalmente jovens marroquinos, embora também haja migrantes de outras nacionalidades, famílias e menores de idade.

Governo espanhol envia reforços

O governo da Espanha anunciou o envio de reforços policiais e militares para ajudar no controle da fronteira e nas operações de resgate.

As medidas incluem o deslocamento de agentes da Guarda Civil, soldados, mergulhadores e uma embarcação militar. A administração central também deve ampliar o apoio ao sistema de acolhimento.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou que pretende visitar Ceuta e acompanhar a resposta das autoridades. A União Europeia também ofereceu assistência à Espanha.

Espanha e Marrocos discutem controle da fronteira

A crise migratória também pressiona a relação entre Espanha e Marrocos.

O controle das saídas depende, em parte, da atuação das autoridades marroquinas na costa e na fronteira terrestre. Fontes de Marrocos atribuíram a movimentação a organizações envolvidas no transporte irregular de pessoas e negaram falta de cooperação com a Espanha.

O episódio lembra a crise de 2021, quando milhares de pessoas entraram em Ceuta após um período de tensão diplomática entre os dois países.

Agora, os governos tentam conter novas travessias enquanto organizam o atendimento às pessoas que já chegaram ao território espanhol.

Leia também: Brasileira natural do Amazonas morre em Barcelona; caso é investigado como violência de gênero

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