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quarta-feira, agosto 26, 2026

Progressistas confirma neutralidade na disputa presidencial

O Progressistas decidiu manter uma posição de neutralidade na eleição presidencial de 2026. Com isso, o partido não apoiará oficialmente, no primeiro turno, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, nem o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal.

A medida preserva a liberdade dos diretórios estaduais para formar alianças conforme as disputas locais. A estratégia já vinha sendo discutida pela direção partidária e ganhou novo peso nesta sexta-feira (31), depois que Flávio afirmou ter escolhido a senadora Tereza Cristina, filiada ao PP, para ser candidata a vice-presidente.

Entretanto, sem o apoio formal do Progressistas, a parlamentar não poderá integrar oficialmente a chapa do PL enquanto a decisão de neutralidade estiver mantida.

Decisão afeta escolha de Tereza Cristina como vice

Flávio Bolsonaro anunciou a jornalistas que havia escolhido Tereza Cristina para completar sua chapa. A senadora por Mato Grosso do Sul foi ministra da Agricultura durante o governo de Jair Bolsonaro e possui forte ligação com o agronegócio e a bancada ruralista.

A expectativa da campanha era que sua presença ampliasse o apoio de Flávio entre produtores rurais, empresários e eleitores do Centro-Oeste. No entanto, a decisão nacional do PP fecha, por enquanto, a possibilidade de uma aliança formal com o PL.

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A indicação de Tereza Cristina dependeria da autorização do partido e da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Como as duas legendas atuam conjuntamente após a aprovação da federação pelo Tribunal Superior Eleitoral, decisões eleitorais nacionais precisam respeitar o posicionamento do grupo.

Partido libera apoios nos estados

A neutralidade nacional não impede que lideranças estaduais e municipais apoiem candidatos à Presidência.

Na prática, os diretórios poderão se aproximar de Lula ou Flávio Bolsonaro conforme os acordos regionais, as candidaturas a governador, Senado e Câmara dos Deputados e os interesses eleitorais de cada estado.

Dirigentes do Progressistas avaliam que essa liberdade pode reduzir conflitos internos e favorecer a eleição de uma bancada maior no Congresso Nacional. O partido reúne grupos próximos ao bolsonarismo, mas também possui integrantes que participam ou mantêm relações políticas com o governo Lula.

Neutralidade enfraquece aliança buscada pelo PL

O apoio da União Progressista era considerado importante para a campanha de Flávio Bolsonaro.

Além de fornecer estrutura partidária nos estados, uma aliança com PP e União Brasil aumentaria o tempo destinado à candidatura na propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. A distribuição desse espaço considera, entre outros critérios legais, o tamanho das bancadas dos partidos que integram cada coligação.

Sem a federação, Flávio terá de buscar outras legendas para fortalecer a candidatura e definir um nome para a vice-presidência. Republicanos e Podemos aparecem entre as alternativas procuradas pelo grupo político, embora também tenham discutido a possibilidade de permanecer neutros.

Ciro Nogueira já havia comunicado posição

O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, já havia indicado que a neutralidade era a posição predominante dentro do partido.

Segundo informações divulgadas anteriormente, a decisão foi construída após reuniões com dirigentes nacionais e representantes dos diretórios estaduais. A maioria teria defendido que o PP não se vinculasse oficialmente a nenhuma candidatura presidencial.

Ciro Nogueira foi ministro-chefe da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro e manteve proximidade com o ex-presidente. Apesar desse histórico, a direção partidária optou por priorizar a autonomia das bases regionais em 2026.

Convenções terminam em 5 de agosto

Os partidos e federações têm até 5 de agosto para realizar convenções e definir oficialmente candidaturas e coligações para as eleições deste ano.

Os pedidos de registro das candidaturas devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa no dia seguinte, 16 de agosto.

Até o fim do período das convenções, ainda poderão ocorrer novas negociações entre o PL, o Progressistas e outras legendas. Entretanto, a posição anunciada pelo PP indica que uma eventual mudança dependeria de uma nova decisão da direção partidária e da federação.

Flávio busca ampliar alianças contra Lula

Flávio Bolsonaro foi oficializado pelo PL como candidato à Presidência durante convenção realizada no último sábado (25), em São Paulo.

O senador tenta reunir partidos de centro e de direita para enfrentar Lula, mas iniciou a campanha sem um nome confirmado para vice e sem o apoio formal das principais siglas do chamado Centrão.

A neutralidade do Progressistas não representa apoio ao atual presidente. O partido poderá abrigar palanques diferentes nos estados e avaliar um eventual posicionamento no segundo turno, caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos em outubro.

Leia também: Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

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