Ex-primeira-dama deve anunciar oficialmente a candidatura durante a convenção do PL, marcada para este domingo (2), em Brasília.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026.
Segundo informações divulgadas pela Jovem Pan, a decisão foi tomada nesta sexta-feira (31), depois de uma conversa com o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
O anúncio oficial deverá ocorrer neste domingo (2), durante a convenção do PL no Distrito Federal. O encontro também deverá marcar a primeira aparição pública de Michelle ao lado do senador Flávio Bolsonaro desde o desentendimento entre os dois.
A candidatura ainda precisa ser formalizada na convenção partidária e posteriormente registrada na Justiça Eleitoral.
PL pretende lançar dobradinha feminina no Distrito Federal
Além de Michelle Bolsonaro, o PL deverá apresentar a deputada federal Bia Kicis como candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
Como cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores em 2026, o partido trabalha com uma dobradinha feminina para disputar as duas vagas disponíveis.
Michelle é considerada uma das principais lideranças eleitorais do PL no Distrito Federal. Ela mantém forte presença entre eleitores conservadores e grupos evangélicos, segmentos que integram a base política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da confiança manifestada por aliados, o resultado dependerá da votação. A candidatura não representa garantia de eleição.
Ex-primeira-dama esteve perto de desistir
A decisão ocorre depois de um período de incerteza sobre o futuro político de Michelle.
Ela chegou a considerar a possibilidade de não concorrer após um desentendimento público com Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai para representar o PL na disputa pela Presidência da República.
Durante a crise, Michelle deixou o comando nacional do PL Mulher e afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado em discussões relacionadas às decisões partidárias.
A saída da função ampliou as dúvidas sobre sua participação nas eleições. No início de julho, Valdemar Costa Neto chegou a afirmar que respeitaria uma eventual decisão pessoal de Michelle de não concorrer.
Conversa com Valdemar teria sido decisiva
De acordo com a Jovem Pan, Michelle decidiu manter a candidatura após conversar com Valdemar Costa Neto.
O dirigente teria ressaltado a importância da ex-primeira-dama para a estratégia eleitoral do PL e para o fortalecimento das candidaturas de direita em diferentes estados.
Michelle teria se sentido desprestigiada pelo partido após o conflito com Flávio. Entretanto, a conversa com Valdemar e a atuação de aliadas ajudaram a reconstruir as condições políticas para sua permanência na disputa.
A senadora Damares Alves e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, também teriam participado das articulações para convencê-la a concorrer.
Michelle e Flávio protagonizaram crise pública
O conflito veio a público no fim de junho, quando Michelle divulgou vídeos nos quais afirmou ter sido maltratada e afastada das decisões internas do PL por Flávio Bolsonaro.
A ex-primeira-dama disse ter se sentido traída depois que o senador defendeu o deputado André Fernandes, presidente do partido no Ceará, em uma divergência relacionada às alianças estaduais.
Segundo Michelle, Flávio afirmou que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias e que não entendia de política.
O senador negou ter tido a intenção de humilhá-la, mas reconheceu posteriormente que houve desconforto e pediu desculpas publicamente.
A crise expôs divisões internas no grupo bolsonarista e gerou preocupação entre dirigentes do PL sobre os impactos na campanha presidencial de Flávio.
Reconciliação foi anunciada em julho
A reaproximação entre os dois ocorreu no dia 23 de julho.
Flávio publicou um vídeo no qual pediu novamente desculpas à madrasta, reconheceu a atuação dela no partido e solicitou apoio para sua campanha presidencial.
Michelle respondeu em outra gravação. Ela afirmou que aceitava o pedido de desculpas e defendeu que os dois conversassem para ajustar as divergências.
“O nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior que desentendimentos. Por isso, aceito seu pedido. Eu te desculpo”, declarou a ex-primeira-dama.
Na mesma mensagem, Michelle indicou que ajudaria na mobilização eleitoral em apoio à candidatura de Flávio.
Convenção deverá marcar reencontro público
A convenção do PL no Distrito Federal deverá representar a confirmação pública da reconciliação.
Michelle e Flávio devem participar do evento, onde o partido apresentará seus candidatos ao Senado e aos demais cargos disputados no DF.
Será a primeira vez que os dois aparecerão juntos publicamente desde o início da crise.
O encontro também terá importância para a campanha presidencial de Flávio. Michelle possui influência entre mulheres evangélicas e eleitoras conservadoras, grupo considerado estratégico para ampliar a candidatura do senador além do eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle é tratada como nome importante da direita
Desde o fim do governo Bolsonaro, Michelle passou a ampliar sua atuação política nacional.
À frente do PL Mulher, ela participou de encontros partidários, eventos religiosos e campanhas municipais em diferentes estados. Sua atuação fortaleceu a imagem de uma possível sucessora política de Jair Bolsonaro.
Aliados consideram que uma eventual vitória para o Senado permitiria à ex-primeira-dama construir uma trajetória própria no Congresso Nacional e manter influência sobre os rumos do campo conservador.
A disputa também será importante para a composição do Senado, que terá dois terços de suas cadeiras renovadas nas eleições de outubro.
Candidatura ainda será oficializada pelo partido
Apesar da decisão atribuída a Michelle, a candidatura somente será oficial depois da aprovação na convenção partidária.
Após essa etapa, o PL deverá apresentar o pedido de registro à Justiça Eleitoral dentro do calendário definido para as eleições.
Até lá, eventuais mudanças nas alianças ou na composição da chapa ainda podem ocorrer.
A convenção deste domingo deverá confirmar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis como candidatas do partido às duas vagas do Distrito Federal no Senado.
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