Empresas, escolas estaduais e serviços públicos voltam a funcionar nesta segunda-feira (20), após três dias de operação para conter o vazamento em fábrica de Manaus.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) controlou o vazamento de gás estireno registrado em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus. Com a contenção, as autoridades autorizaram a retomada das atividades nas empresas, escolas estaduais e repartições públicas localizadas no entorno do acidente a partir desta segunda-feira (20).
A decisão ocorreu durante uma reunião realizada no domingo (19). Participaram representantes da Segurança Pública, Defesa Civil, Saúde, Meio Ambiente e Educação, além da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM).
O vazamento começou na quarta-feira (16) e mobilizou equipes durante três dias consecutivos.
Bombeiros afirmam que não há mais emissão de estireno
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, as equipes não identificaram resíduos do produto dentro da área isolada nem nas proximidades da fábrica.
Além disso, o tanque atingido deixou de emitir o gás.
Mesmo após a contenção, os bombeiros continuarão dentro da empresa para manter o resfriamento do reservatório. O trabalho poderá durar meses, já que a retirada da estrutura e do material restante exige cuidados técnicos.
Durante a operação, os militares atuaram de forma ininterrupta no resfriamento do tanque e na sucção do produto. Paralelamente, a Polícia Militar isolou um perímetro de 300 metros ao redor do local, seguindo os protocolos de segurança.
Vistorias não identificam fissuras no tanque
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanhou os trabalhos desde o início do acidente.
No sábado (18), equipes utilizaram um drone térmico para medir a temperatura do tanque em intervalos de quatro horas. Em seguida, engenheiros mecânicos do Crea-AM avaliaram a estrutura para identificar possíveis rachaduras ou fissuras.
De acordo com os técnicos, o tanque sofreu uma deformação. No entanto, as inspeções não encontraram fissuras capazes de comprometer a estrutura.
O gerente adjunto de fiscalização do Crea-AM, Afonso Bernardes Jr., afirmou que as medidas adotadas controlaram a situação e eliminaram o risco imediato.
Ipaam manterá fiscalização na fábrica
Apesar da liberação das atividades, o Ipaam continuará monitorando o local.
Entre as ações previstas estão:
- análise da qualidade do ar;
- avaliação dos efluentes gerados durante a operação;
- acompanhamento da destinação dos resíduos;
- fiscalização da retirada do produto armazenado;
- verificação das condições previstas na licença ambiental da empresa.
O monitoramento da qualidade do ar ocorrerá em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas.
Além disso, o órgão ambiental poderá adotar novas medidas administrativas caso as próximas vistorias encontrem outras irregularidades.
Empresa recebeu multa de R$ 12,5 milhões
Na sexta-feira (17), o Ipaam multou a empresa em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental.
O órgão aplicou a penalidade com base na Lei de Crimes Ambientais, no decreto federal que regulamenta as infrações administrativas ambientais e nas regras estaduais de fiscalização.
A licença de operação da empresa permanece vigente até outubro de 2026. No entanto, o instituto continuará avaliando se a fábrica cumpriu todas as condicionantes previstas no documento.
Saúde registra 552 atendimentos
Entre quarta-feira e domingo, a rede estadual de Saúde registrou 552 atendimentos relacionados a sintomas possivelmente provocados pela exposição ao estireno.
Do total, apenas um paciente permanecia internado até a última atualização.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva, as medições realizadas pelo Corpo de Bombeiros não apontam mais vazamento. Por isso, o comitê concluiu que a população não enfrenta risco imediato.
Ainda assim, a Secretaria de Estado de Saúde continuará acompanhando os atendimentos em prontos-socorros e Serviços de Pronto Atendimento.
A recomendação permanece a mesma: pessoas com sintomas devem procurar uma unidade de saúde ou acionar o Samu pelo número 192.
Mortes seguem sob investigação
Um homem de 60 anos morreu na madrugada de domingo após apresentar problemas respiratórios. Ele havia procurado uma unidade privada de saúde e relatado uma possível exposição ao gás.
O paciente recebeu atendimento na sexta-feira com sintomas leves e deixou a unidade. No sábado, porém, retornou com agravamento do quadro e morreu horas depois.
Uma comissão da unidade privada investigará a causa da morte. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas também acompanhará a apuração.
Outro homem, de 67 anos, morreu na quarta-feira após relatar mal-estar. No entanto, as autoridades não confirmaram relação direta entre o óbito e o vazamento. Segundo a Secretaria de Saúde, ele possuía histórico de doença respiratória crônica.
Escolas estaduais retomam aulas
Com a liberação do entorno, a Secretaria de Estado de Educação retomará as atividades em escolas que haviam suspendido as aulas.
Entre as unidades autorizadas a funcionar estão:
- Nathalia Uchôa;
- Antônio Lucena Bittencourt;
- Antóvila Mourão Vieira;
- Bom Pastor;
- Madre Tereza;
- Almirante Ernesto;
- Olavo Bilac;
- São Luiz de Gonzaga;
- Marquês de Santa Cruz;
- Pedro Silvestre;
- Nossa Senhora da Glória;
- Antônio Bettencourt;
- Joana Rodrigues;
- Liberalina Weill;
- Governador Melo e Póvoas;
- Benedito Almeida.
O PAC Studio 5 também retomará o atendimento normal à população.
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