Sindicato afirma que a paralisação não terminará apenas com o pagamento dos salários atrasados e exige compromissos formais para melhorar as condições de trabalho.
Os trabalhadores do transporte coletivo de Manaus decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários informou, nesta segunda-feira (20), que a categoria só encerrará o movimento após o pagamento dos salários atrasados e o avanço das negociações sobre outras reivindicações.
O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, anunciou a decisão durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira.
Segundo ele, mesmo que as empresas depositem os salários ainda hoje, os trabalhadores não retomarão as atividades automaticamente. A categoria também exige que a Prefeitura de Manaus participe das negociações e assuma compromissos formais para solucionar problemas antigos do sistema de transporte coletivo.
Categoria apresenta novas exigências
Além da regularização dos salários, os rodoviários apresentaram uma lista de reivindicações trabalhistas e estruturais.
Entre os principais pedidos estão:
- suspensão das demissões de cobradores;
- reforma dos terminais de ônibus;
- pagamento das horas trabalhadas em feriados;
- pagamento em dinheiro da gratificação aos motoristas que também exercem a função de cobrador;
- ampliação do auxílio-creche de R$ 300 aos trabalhadores homens que possuem filhos pequenos.
Atualmente, segundo o sindicato, o auxílio-creche atende apenas às trabalhadoras mulheres.
A categoria também classifica alguns terminais de ônibus como insalubres e cobra intervenções para melhorar as condições enfrentadas diariamente por motoristas, cobradores e usuários.
Sindicato critica atrasos recorrentes
Durante a coletiva, Givancir Oliveira afirmou que os atrasos salariais ocorrem há vários anos.
Segundo o dirigente, os trabalhadores enfrentam dificuldades para pagar aluguel, alimentação e outras despesas básicas quando as empresas deixam de cumprir o calendário de pagamento.
Por esse motivo, o sindicato defende que a solução não se limite à quitação dos valores atuais. A entidade quer garantias de que os atrasos não voltarão a ocorrer nos próximos meses.
Multas também geram insatisfação
Outro ponto levantado pelo presidente do sindicato envolve a diferença entre as multas impostas às empresas e as penalidades aplicáveis aos trabalhadores.
De acordo com Givancir, as empresas podem receber uma multa de R$ 5 mil por dia quando atrasam os pagamentos. Por outro lado, o sindicato pode ser penalizado em até R$ 100 mil por hora caso descumpra uma decisão judicial que determine o fim da paralisação.
O dirigente classificou essa diferença como desproporcional e afirmou que a categoria continuará defendendo seus direitos.
Prefeitura afirma que está com pagamentos em dia
Em nota, a Prefeitura de Manaus informou que não possui débitos referentes a 2026 com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).
Segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), o município cumpre regularmente suas obrigações financeiras durante o exercício atual.
A Prefeitura, no entanto, não detalhou se participará de uma nova rodada de negociação com os rodoviários nem apresentou uma previsão para o encerramento da paralisação.
Greve continua sem previsão de término
Com a decisão anunciada pelo sindicato, a greve segue por tempo indeterminado.
Até o momento, não há acordo entre os trabalhadores, as empresas de transporte e o poder público.
Dessa forma, a retomada integral do serviço dependerá do pagamento dos salários atrasados e do avanço das negociações sobre as demais reivindicações apresentadas pela categoria.
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