Ministério da Saúde afirma que medicamentos da classe GLP-1 serão incorporados seguindo protocolo clínico; estudo com semaglutida acompanha 250 pacientes da rede pública.
O SUS vai oferecer canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade, mas a distribuição não será indiscriminada. Segundo o Ministério da Saúde, medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 serão disponibilizados com base em estudos e após a definição de um protocolo clínico que estabelecerá quem poderá receber o tratamento.
A pasta informou nesta sexta-feira (18) que considera positivos os primeiros resultados observados em pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição, da rede pública de Porto Alegre, onde um estudo com semaglutida começou a selecionar participantes em junho.
Ao todo, deverão ser acompanhados 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças.
SUS vai oferecer canetas emagrecedoras seguindo protocolo
Apesar do anúncio, o Ministério da Saúde ainda não detalhou quando a distribuição será ampliada nacionalmente nem quais serão todos os critérios para acesso ao medicamento.
A intenção é utilizar os resultados dos estudos para estabelecer diretrizes de segurança, indicação e acompanhamento dos pacientes.
O tratamento deverá ocorrer com acompanhamento médico, e a definição dos beneficiários será feita a partir de critérios clínicos.
Portanto, o anúncio não significa que as canetas estarão imediatamente disponíveis para qualquer pessoa que queira perder peso.
Semaglutida é avaliada em pacientes com obesidade grave
A semaglutida é um dos princípios ativos pertencentes à classe dos agonistas de GLP-1.
No estudo citado pelo Ministério da Saúde, a atenção está voltada principalmente a pacientes com quadros mais graves ou que também apresentam outras morbidades.
O acompanhamento pretende avaliar não apenas a perda de peso, mas também possíveis impactos sobre outras condições de saúde relacionadas à obesidade.
Pacientes na fila da bariátrica estão entre os avaliados
Uma das frentes do estudo envolve pessoas que aguardam cirurgia bariátrica.
O objetivo é verificar se o uso do medicamento consegue controlar a obesidade de forma suficiente para que, em determinados casos, o procedimento cirúrgico deixe de ser necessário.
Isso não significa que a medicação substituirá automaticamente a cirurgia bariátrica.
A resposta ao tratamento varia entre os pacientes, e a decisão sobre manter ou não uma indicação cirúrgica dependerá da avaliação das equipes médicas.
Estudo também analisa coração e câncer de mama
O Ministério da Saúde informou que o acompanhamento avaliará outros possíveis benefícios associados à redução da obesidade.
Entre os pontos observados estão a redução de problemas cardíacos e a possibilidade de diminuir a reincidência de câncer de mama em determinados grupos de pacientes.
Esses aspectos ainda fazem parte da avaliação conduzida no estudo e não devem ser interpretados como garantia de resultado para todos os usuários do medicamento.
Critérios de distribuição ainda serão definidos
O ponto mais importante para quem acompanha o anúncio é que o SUS vai oferecer canetas emagrecedoras, mas a forma de acesso ainda dependerá do protocolo clínico que será elaborado.
O material divulgado pelo Ministério da Saúde não informa uma data para início da distribuição em todo o país, quantidade de doses, orçamento destinado à aquisição ou quais medicamentos da classe GLP-1 estarão disponíveis além da semaglutida estudada atualmente.
Até a definição dessas regras, pacientes não devem considerar que haverá fornecimento automático nas unidades do SUS.
Leia também: MPAM vai à Justiça e cobra medidas urgentes contra “terras caídas” em Anamã
