27.3 C
Manaus
quarta-feira, agosto 26, 2026

Operação La Máquina cumpre 43 mandados em oito estados

Operação La Máquina mira grupo que usava aviões e pistas clandestinas para levar drogas da Amazônia a oito estados

Ação do Gaeco/MPAM e da Polícia Federal cumpriu 43 mandados, bloqueou cerca de R$ 7,7 milhões e atingiu estrutura suspeita de movimentar mais de R$ 35 milhões.

 

A Operação La Máquina foi deflagrada nesta quinta-feira (13) contra uma organização criminosa suspeita de utilizar aviões de pequeno porte, pistas clandestinas e empresas de fachada para transportar drogas a partir da Amazônia para diferentes regiões do Brasil.

A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (Gaeco/MPAM), em conjunto com a Polícia Federal.

Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, sendo 13 de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão e quatro medidas cautelares diversas da prisão.

Publicidade

A Justiça também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.

Mais de 100 agentes participaram das ações realizadas simultaneamente no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.

Aviões e pistas clandestinas faziam parte do esquema investigado

Segundo a investigação, o grupo teria estruturado uma verdadeira logística aérea para viabilizar o transporte dos entorpecentes.

A estrutura incluía aeronaves de pequeno porte, pilotos, pontos clandestinos de pouso e decolagem, armazenamento de combustível em áreas remotas e locais destinados à manutenção dos aviões.

Os investigadores também identificaram indícios de adulteração na identificação das aeronaves, supostamente utilizada para dificultar a fiscalização.

Duas pistas clandestinas apontadas como pontos de apoio da organização estão localizadas nos municípios amazonenses de Tefé e Presidente Figueiredo.

A Justiça autorizou a destruição das duas estruturas.

Operação La Máquina investigou diferentes funções dentro do grupo

A investigação indica que a organização possuía divisão de tarefas.

Havia suspeitos responsáveis pelo financiamento das operações, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção e abastecimento dos aviões, armazenamento das drogas, distribuição dos entorpecentes e movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.

Além do transporte aéreo, o grupo também teria utilizado rotas fluviais e terrestres.

A combinação dos três modais teria permitido a movimentação das drogas desde a Amazônia até outros estados brasileiros.

Os investigados ainda não foram julgados, e as responsabilidades individuais deverão ser definidas no decorrer das investigações e de eventual processo judicial.

Movimentações financeiras superam R$ 35 milhões

Outro eixo da Operação La Máquina envolve a investigação financeira dos suspeitos.

De acordo com os elementos reunidos, pessoas físicas e jurídicas associadas aos investigados movimentaram mais de R$ 35 milhões, montante considerado incompatível com as atividades econômicas formalmente declaradas.

Entre as práticas investigadas estão o uso de empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações financeiras realizadas por terceiros e aquisição de patrimônio em nome de outras pessoas.

As autoridades suspeitam que essas operações tenham sido utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.

Imóveis, veículos e centros comerciais entram na investigação

Segundo a apuração, parte dos recursos teria sido destinada à compra de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.

Em Manaus, a investigação identificou investimentos em centros comerciais que, segundo os investigadores, poderiam estar sendo usados para dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente das atividades criminosas.

A Justiça determinou o sequestro de 31 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões.

Dois centros comerciais vinculados às práticas investigadas também foram atingidos pelas medidas patrimoniais.

O objetivo é impedir que recursos de possível origem ilícita continuem sendo incorporados ao patrimônio dos investigados e reduzir a capacidade financeira do grupo.

Investigação identificou operação aérea na região de Tefé

As apurações também reconstruíram episódios considerados relevantes para compreender o funcionamento da logística aérea.

Um deles envolveu uma interceptação aérea seguida de ação policial na região de Tefé.

Outro caso investigado foi o desaparecimento de uma aeronave durante um voo realizado nas proximidades da fronteira com a Venezuela.

As circunstâncias identificadas pelos investigadores seriam compatíveis com um acidente aeronáutico.

Os dois episódios são analisados dentro do contexto das rotas e atividades atribuídas ao grupo.

Nome La Máquina era usado para se referir às aeronaves

O nome Operação La Máquina surgiu das próprias comunicações analisadas durante a investigação.

Segundo as autoridades, a expressão “La Máquina” era utilizada pelos integrantes do grupo para se referir às aeronaves empregadas no transporte das drogas.

O conteúdo das comunicações contribuiu para a identificação de integrantes, rotas, funções e estruturas que supostamente faziam parte da organização.

Investigados podem responder por diferentes crimes

A depender do grau de participação atribuído a cada investigado, poderão ser apurados crimes como tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais.

As prisões preventivas e demais medidas cautelares têm caráter processual e não representam condenação.

A investigação continua com a análise de documentos, equipamentos e outros materiais apreendidos durante as buscas.

Segundo as autoridades, essa etapa poderá revelar novas movimentações financeiras, rotas utilizadas pela organização e outros possíveis envolvidos no esquema.

Leia também: STF endurece controle sobre pagamentos extras a magistrados

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Pode Gostar