Operação La Máquina mira grupo que usava aviões e pistas clandestinas para levar drogas da Amazônia a oito estados
Ação do Gaeco/MPAM e da Polícia Federal cumpriu 43 mandados, bloqueou cerca de R$ 7,7 milhões e atingiu estrutura suspeita de movimentar mais de R$ 35 milhões.
A Operação La Máquina foi deflagrada nesta quinta-feira (13) contra uma organização criminosa suspeita de utilizar aviões de pequeno porte, pistas clandestinas e empresas de fachada para transportar drogas a partir da Amazônia para diferentes regiões do Brasil.
A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Amazonas (Gaeco/MPAM), em conjunto com a Polícia Federal.
Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, sendo 13 de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão e quatro medidas cautelares diversas da prisão.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.
Mais de 100 agentes participaram das ações realizadas simultaneamente no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina.
Aviões e pistas clandestinas faziam parte do esquema investigado
Segundo a investigação, o grupo teria estruturado uma verdadeira logística aérea para viabilizar o transporte dos entorpecentes.
A estrutura incluía aeronaves de pequeno porte, pilotos, pontos clandestinos de pouso e decolagem, armazenamento de combustível em áreas remotas e locais destinados à manutenção dos aviões.
Os investigadores também identificaram indícios de adulteração na identificação das aeronaves, supostamente utilizada para dificultar a fiscalização.
Duas pistas clandestinas apontadas como pontos de apoio da organização estão localizadas nos municípios amazonenses de Tefé e Presidente Figueiredo.
A Justiça autorizou a destruição das duas estruturas.
Operação La Máquina investigou diferentes funções dentro do grupo
A investigação indica que a organização possuía divisão de tarefas.
Havia suspeitos responsáveis pelo financiamento das operações, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção e abastecimento dos aviões, armazenamento das drogas, distribuição dos entorpecentes e movimentação do dinheiro obtido com o tráfico.
Além do transporte aéreo, o grupo também teria utilizado rotas fluviais e terrestres.
A combinação dos três modais teria permitido a movimentação das drogas desde a Amazônia até outros estados brasileiros.
Os investigados ainda não foram julgados, e as responsabilidades individuais deverão ser definidas no decorrer das investigações e de eventual processo judicial.
Movimentações financeiras superam R$ 35 milhões
Outro eixo da Operação La Máquina envolve a investigação financeira dos suspeitos.
De acordo com os elementos reunidos, pessoas físicas e jurídicas associadas aos investigados movimentaram mais de R$ 35 milhões, montante considerado incompatível com as atividades econômicas formalmente declaradas.
Entre as práticas investigadas estão o uso de empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações financeiras realizadas por terceiros e aquisição de patrimônio em nome de outras pessoas.
As autoridades suspeitam que essas operações tenham sido utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.
Imóveis, veículos e centros comerciais entram na investigação
Segundo a apuração, parte dos recursos teria sido destinada à compra de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais.
Em Manaus, a investigação identificou investimentos em centros comerciais que, segundo os investigadores, poderiam estar sendo usados para dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente das atividades criminosas.
A Justiça determinou o sequestro de 31 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 3 milhões.
Dois centros comerciais vinculados às práticas investigadas também foram atingidos pelas medidas patrimoniais.
O objetivo é impedir que recursos de possível origem ilícita continuem sendo incorporados ao patrimônio dos investigados e reduzir a capacidade financeira do grupo.
Investigação identificou operação aérea na região de Tefé
As apurações também reconstruíram episódios considerados relevantes para compreender o funcionamento da logística aérea.
Um deles envolveu uma interceptação aérea seguida de ação policial na região de Tefé.
Outro caso investigado foi o desaparecimento de uma aeronave durante um voo realizado nas proximidades da fronteira com a Venezuela.
As circunstâncias identificadas pelos investigadores seriam compatíveis com um acidente aeronáutico.
Os dois episódios são analisados dentro do contexto das rotas e atividades atribuídas ao grupo.
Nome La Máquina era usado para se referir às aeronaves
O nome Operação La Máquina surgiu das próprias comunicações analisadas durante a investigação.
Segundo as autoridades, a expressão “La Máquina” era utilizada pelos integrantes do grupo para se referir às aeronaves empregadas no transporte das drogas.
O conteúdo das comunicações contribuiu para a identificação de integrantes, rotas, funções e estruturas que supostamente faziam parte da organização.
Investigados podem responder por diferentes crimes
A depender do grau de participação atribuído a cada investigado, poderão ser apurados crimes como tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa e lavagem de capitais.
As prisões preventivas e demais medidas cautelares têm caráter processual e não representam condenação.
A investigação continua com a análise de documentos, equipamentos e outros materiais apreendidos durante as buscas.
Segundo as autoridades, essa etapa poderá revelar novas movimentações financeiras, rotas utilizadas pela organização e outros possíveis envolvidos no esquema.
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