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terça-feira, setembro 1, 2026

Mendonça derruba sigilo e dá cinco dias para PGR analisar relatório com citações a Moraes e Gonet

Relatório da Polícia Federal reúne dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro; investigadores identificaram conversas com contato salvo em nome de Alexandre de Moraes e referências ao procurador-geral Paulo Gonet.

Mendonça retira sigilo e aciona PGR

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de um relatório da Polícia Federal que contém menções ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante as investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Além de tornar o documento público, Mendonça deu cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o conteúdo do relatório.

As informações foram obtidas pela Polícia Federal durante a análise do celular de Vorcaro, investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

PF encontrou contato salvo em nome de Alexandre de Moraes

De acordo com o relatório da Polícia Federal, Vorcaro teria conversado diretamente com um contato salvo em seu aparelho com o nome de Alexandre de Moraes.

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A investigação, porém, enfrenta limitações para recuperar integralmente o conteúdo dessas comunicações.

Segundo a PF, parte das supostas conversas foi apagada porque o contato utilizava mensagens de visualização única e também escrevia conteúdos no bloco de notas, procedimento que teria impedido a recuperação completa dos dados.

Por isso, o material disponível não corresponde necessariamente à totalidade das conversas mantidas entre os contatos.

Mensagem recuperada cita tentativa de “antecipar os investigadores”

Entre os conteúdos recuperados, a PF identificou uma mensagem atribuída a Vorcaro enviada em 17 de novembro de 2025.

Nela, o ex-banqueiro afirma ao contato salvo com o nome do ministro que estava “tentando antecipar os investigadores”.

O trecho passou a integrar o relatório que agora deverá ser analisado pela Procuradoria-Geral da República.

A divulgação dessa mensagem, entretanto, não permite por si só estabelecer se houve qualquer interferência de Moraes nas investigações ou qual era o contexto integral da conversa.

Relatório não afirma que Gonet conversou diretamente com Vorcaro

Uma das atualizações relevantes trazidas pela Agência Brasil é que as referências ao procurador-geral Paulo Gonet têm natureza diferente das relacionadas ao contato salvo em nome de Moraes.

Segundo o relatório, Gonet aparece citado por terceiros que conversavam com Vorcaro, e não como interlocutor direto do ex-banqueiro no material divulgado até agora.

Em uma conversa ocorrida em 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares afirma que “Gonet é firme”.

Até a atualização da reportagem, não havia indicação no relatório divulgado de conversa direta entre Vorcaro e o procurador-geral.

Diretor-geral da PF também aparece citado

O relatório também contém referências ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

Segundo os investigadores, o contato de Andrei não foi encontrado na agenda telefônica de Vorcaro.

O nome dele aparece em uma conversa de abril de 2024 entre Vorcaro e o ex-deputado Fábio Faria.

Na troca de mensagens, Faria pergunta ao ex-banqueiro se ele aceitaria convidar o diretor-geral da PF para um evento em Londres.

Posteriormente, segundo o relatório, uma secretária ligada ao diretor-geral entrou em contato com a organização do evento para tratar da viagem.

Relatório surgiu da quebra do sigilo do celular de Vorcaro

As referências às autoridades não surgiram inicialmente de uma investigação específica contra Moraes ou Gonet.

Elas foram localizadas durante a quebra de sigilo e análise do aparelho celular de Daniel Vorcaro, realizada dentro da investigação conduzida pela Polícia Federal.

O ex-banqueiro é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Com o material em mãos, a PF registrou as referências encontradas e encaminhou o conteúdo para análise no âmbito judicial.

PGR terá cinco dias para se manifestar

A próxima etapa será a manifestação da Procuradoria-Geral da República.

André Mendonça estabeleceu prazo de cinco dias para que a PGR analise o relatório da Polícia Federal e se posicione sobre as informações encontradas.

A manifestação poderá ajudar a definir quais providências deverão ser tomadas a partir do conteúdo recuperado.

Até o momento, não há decisão divulgada atribuindo prática de crime ou irregularidade a Alexandre de Moraes ou Paulo Gonet em razão das citações encontradas.

Retirada do sigilo permite conhecer detalhes da investigação

A retirada do sigilo do relatório tornou públicos detalhes que antes estavam restritos aos autos.

Entre eles estão a existência do contato salvo em nome de Moraes, a dificuldade de recuperação integral das mensagens e as citações a Gonet e ao diretor-geral da PF.

A medida não equivale, contudo, à abertura automática de uma investigação criminal contra as autoridades mencionadas.

O documento reúne elementos colhidos pela Polícia Federal e agora será submetido à análise da Procuradoria-Geral da República.

 

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