32.5 C
Manaus
sábado, julho 25, 2026

Justiça condena mãe e irmão de Djidja Cardoso e mais cinco por tráfico de cetamina em Manaus

Nova sentença fixou penas de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão. Outros três réus foram absolvidos por falta de provas suficientes.

A Justiça do Amazonas condenou, nesta quarta-feira (22), sete pessoas pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico de cetamina em Manaus. Entre os condenados estão a mãe e o irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso.

As penas variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão, em regimes fechado e semiaberto. A decisão foi proferida pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes.

A ação penal analisa exclusivamente os crimes relacionados ao fornecimento, à aquisição e à distribuição irregular de cetamina. A sentença não julga as circunstâncias da morte de Djidja Cardoso nem outros possíveis delitos investigados separadamente.

Nova decisão substitui sentença anulada

A condenação foi proferida dez meses depois da anulação de uma sentença anterior referente ao mesmo processo.

Publicidade

Após o reconhecimento de falhas na condução processual, o caso retornou à primeira instância para a regularização das provas periciais e a realização de um novo julgamento.

Com a correção dos procedimentos, a magistrada concluiu que havia elementos suficientes para comprovar a existência dos crimes e a responsabilidade de sete dos dez réus.

Outras três pessoas foram absolvidas porque a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para condená-las por tráfico ou associação para o tráfico.

Mãe e irmão receberam as maiores penas

Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe de Djidja, foi condenada a 10 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial fechado. Segundo a sentença, ela exercia uma posição de liderança e articulação dentro do grupo.

Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja, recebeu a mesma pena: 10 anos e 11 meses, também em regime fechado. Ele foi apontado como responsável pela execução e organização de atividades relacionadas ao esquema.

Os dois eram proprietários de uma rede de salões de beleza em Manaus e fundadores do grupo religioso denominado “Pai, Mãe, Vida”, conforme informações divulgadas durante a Operação Mandrágora.

Veterinário teria fornecido a cetamina

José Máximo Silva de Oliveira, proprietário de uma clínica veterinária, foi condenado a 10 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado.

De acordo com as investigações, a clínica era uma das fontes de aquisição da cetamina distribuída irregularmente ao grupo.

A substância é utilizada legalmente como anestésico em procedimentos médicos e veterinários. No entanto, sua compra, armazenamento e aplicação devem seguir regras sanitárias e profissionais específicas.

A Polícia Civil apontou, durante a Operação Mandrágora, que a cetamina era adquirida e repassada sem finalidade terapêutica regular.

Justiça detalhou atuação dos demais condenados

Hatus Moraes Silveira, apontado como intermediário e facilitador da logística, foi condenado a 10 anos e 5 meses de reclusão, em regime fechado.

Verônica da Costa Seixas recebeu pena de 10 anos de prisão, também em regime fechado. Segundo a decisão, ela auxiliava na aquisição e na ocultação dos materiais utilizados pelo grupo.

Sávio Soares Pereira foi condenado a 9 anos de prisão, em regime inicial semiaberto. A investigação indicou que ele participava das negociações relacionadas à substância por meio de aplicativos de mensagens.

Bruno Roberto da Silva Lima recebeu a menor pena entre os condenados: 8 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado. Conforme a sentença, ele participava da logística de aquisição e incentivava o consumo da cetamina.

Quatro condenados continuarão presos

A Justiça manteve as prisões preventivas de Cleusimar Cardoso, Ademar Farias, José Máximo e Hatus Moraes. Eles não poderão recorrer da sentença em liberdade.

Verônica, Sávio e Bruno poderão apresentar recursos fora da prisão, desde que cumpram as medidas cautelares determinadas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

As condenações ainda podem ser contestadas pelas defesas nas instâncias superiores. Portanto, a nova sentença não representa necessariamente o encerramento definitivo do processo.

Três réus foram absolvidos

A Justiça absolveu três pessoas que também respondiam à ação penal:

  • Emicley Araújo Freitas;
  • Claudiele Santos da Silva;
  • Marlisson Vasconcelos Dantas.

A magistrada considerou que as provas apresentadas não eram suficientes para confirmar a participação dos três nos crimes de tráfico e associação para o tráfico.

A absolvição por insuficiência de provas também havia ocorrido na primeira sentença, proferida em dezembro de 2024.

Investigação apontou distribuição e aplicação da substância

Segundo as investigações, o grupo utilizava estabelecimentos da rede de salões de beleza Belle Femme e encontros ligados ao “Pai, Mãe, Vida” para fornecer e incentivar o uso da cetamina.

A Polícia Civil afirmou, na época da Operação Mandrágora, que os envolvidos promoviam a distribuição e o consumo recreativo da substância. Investigadores também apuraram relatos de que a droga era apresentada como instrumento de “cura espiritual” e “elevação”.

A nova sentença considerou provas documentais, depoimentos, mensagens e perícias reunidas durante a investigação.

Processo não determina a causa da morte de Djidja

Djidja Cardoso foi encontrada morta em sua residência, no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus, no dia 28 de maio de 2024.

A investigação sobre a morte da ex-sinhazinha foi conduzida separadamente pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.

Embora o uso de cetamina tenha sido uma das linhas investigadas, a ação penal julgada nesta quarta-feira trata somente dos crimes de tráfico e associação para o tráfico. Por isso, a sentença não conclui que os condenados tenham causado a morte de Djidja.


PENAS APLICADAS

Cleusimar Cardoso Rodrigues: 10 anos e 11 meses, regime fechado
Ademar Farias Cardoso Neto: 10 anos e 11 meses, regime fechado
Hatus Moraes Silveira: 10 anos e 5 meses, regime fechado
José Máximo Silva de Oliveira: 10 anos e 4 meses, regime fechado
Verônica da Costa Seixas: 10 anos, regime fechado
Sávio Soares Pereira: 9 anos, regime semiaberto
Bruno Roberto da Silva Lima: 8 anos e 6 meses, regime fechado

Leia também: Suspeito de aplicar golpes com falsas vagas de emprego é preso em Manaus

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Pode Gostar