A chegada do chamado verão amazônico, período marcado por temperaturas elevadas, redução das chuvas e vazante dos rios, exige atenção redobrada contra doenças transmitidas por mosquitos em Manaus.
Nesta época do ano, as condições ambientais podem favorecer tanto a malária quanto a permanência de criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus Zika.
Por isso, moradores devem manter os cuidados dentro de casa, nos quintais e durante viagens para sítios, balneários, comunidades rurais e áreas próximas a rios e florestas.
Embora as quatro doenças sejam transmitidas por mosquitos, elas não possuem o mesmo vetor. A dengue, a chikungunya e a Zika são transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti. Já a malária é transmitida pela fêmea do mosquito Anopheles infectada.
Vazante favorece criadouros naturais da malária
A Secretaria Municipal de Saúde de Manaus alerta que a cidade está entrando no período sazonal da malária.
Com a vazante dos rios e igarapés, pequenas coleções de água podem permanecer próximas às margens. Esses ambientes favorecem a reprodução do mosquito Anopheles, principalmente em zonas rurais e periurbanas.
A atenção deve ser maior entre pessoas que frequentam balneários, sítios, assentamentos, comunidades ribeirinhas e áreas de transição entre a cidade e a floresta.
O mosquito da malária costuma apresentar maior atividade entre o anoitecer e o amanhecer. Por isso, o uso de mosquiteiros, telas, repelentes e roupas que cubram braços e pernas ganha ainda mais importância nesse horário.
Período seco não elimina o risco de dengue
A redução das chuvas não significa o fim do risco de dengue, Zika e chikungunya.
Durante o calor, muitas famílias passam a armazenar água em baldes, tambores, caixas e outros recipientes. Quando esses depósitos permanecem destampados, podem se transformar em criadouros do Aedes aegypti.
Além disso, pequenas quantidades de água acumuladas em calhas, vasos, pneus, garrafas, ralos, bandejas de geladeira e recipientes descartados são suficientes para permitir a reprodução do mosquito.
O Ministério da Saúde reforça que a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação dos criadouros. A vacinação contra a dengue é uma ferramenta adicional, mas não substitui o combate ao mosquito.
Mudanças climáticas podem ampliar transmissão
O Ministério da Saúde emitiu, em julho, um alerta para estados e municípios diante da possibilidade de aumento das arboviroses no país.
Segundo a pasta, o fenômeno El Niño pode provocar calor mais intenso, mudanças no regime de chuvas e períodos prolongados de seca. Essas condições podem aumentar o armazenamento doméstico de água e criar novos ambientes para o Aedes aegypti.
O governo federal recomendou que os municípios reforcem a vigilância, o trabalho dos agentes de endemias e o bloqueio da transmissão nos primeiros casos identificados.
Até 20 de junho de 2026, o Brasil havia registrado redução de 73% nos casos de dengue e de 46% nos casos de chikungunya em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, a orientação é manter os cuidados, porque a situação pode mudar conforme as condições climáticas.
Manaus adotou novo monitoramento do Aedes
Em 2026, Manaus iniciou a implantação de ovitrampas para ampliar o monitoramento do Aedes aegypti.
As armadilhas ajudam as equipes de saúde a identificar locais com maior presença de ovos do mosquito. Com essas informações, os agentes podem direcionar ações para bairros e áreas com risco mais elevado.
A estratégia integra o trabalho de vigilância e controle das doenças transmitidas pelo Aedes.
Apesar das ações do poder público, o combate depende da participação dos moradores. Grande parte dos depósitos usados pelo mosquito está dentro de residências ou em áreas próximas.
Como combater o Aedes aegypti
A recomendação é reservar pelo menos dez minutos por semana para verificar a residência.
Caixas-d’água devem permanecer completamente fechadas. Baldes e tambores precisam ser tampados ou mantidos virados para baixo quando não estiverem em uso.
Também é necessário retirar água de vasos de plantas, limpar calhas e ralos, descartar recipientes sem utilidade e guardar pneus em locais cobertos.
Piscinas devem receber manutenção adequada. Bebedouros de animais precisam ser lavados com água e sabão, e não apenas ter a água substituída.
Repelentes, telas e roupas compridas ajudam a reduzir as picadas, mas não substituem a eliminação dos criadouros.
Prevenção da malária exige cuidados diferentes
Como a malária possui outro mosquito transmissor, o combate também exige medidas específicas.
Quem mora ou viaja para áreas de transmissão deve evitar permanecer desprotegido em locais abertos entre o entardecer e o amanhecer.
O Ministério da Saúde recomenda o uso de repelente nas partes expostas do corpo, camisas de manga comprida, calças, sapatos fechados, mosquiteiros e telas em portas e janelas.
Ao retornar de uma área com risco de transmissão, a pessoa deve observar o surgimento de sintomas. A malária tem diagnóstico e tratamento disponíveis pelo Sistema Único de Saúde, mas o atendimento precisa ocorrer rapidamente.
Sintomas de dengue, Zika e chikungunya
As três doenças podem apresentar sintomas semelhantes, mas algumas manifestações ajudam na avaliação clínica.
Na dengue, são comuns febre alta, dor de cabeça, fraqueza, dores musculares, dor atrás dos olhos e manchas na pele.
A chikungunya costuma provocar febre e dor intensa nas articulações. Em alguns pacientes, as dores podem persistir por semanas ou meses.
A Zika geralmente causa febre baixa, manchas vermelhas, coceira, olhos avermelhados e dores leves nas articulações.
Somente um profissional de saúde pode confirmar o diagnóstico. Por isso, pessoas com sintomas devem procurar uma unidade de atendimento e evitar a automedicação.
Sinais de alerta exigem atendimento imediato
Pacientes com suspeita de dengue precisam observar sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência, irritabilidade ou dificuldade para respirar.
Esses sintomas podem indicar agravamento do quadro e exigem avaliação imediata.
Medicamentos à base de ácido acetilsalicílico e alguns anti-inflamatórios podem aumentar o risco de sangramento em casos de dengue. Portanto, nenhum medicamento deve ser utilizado sem orientação profissional.
Sintomas da malária podem aparecer após viagem
A malária pode causar febre, calafrios, suor intenso, dor de cabeça, fraqueza, náuseas e dores no corpo.
Os sintomas podem surgir dias ou semanas depois da picada. Por isso, ao procurar atendimento, o paciente deve informar se esteve recentemente em sítios, ramais, comunidades rurais, áreas de floresta ou margens de rios.
A rede municipal oferece identificação e manejo clínico de dengue, Zika, chikungunya e malária nas unidades de saúde.
Combate precisa continuar durante todo o ano
O verão amazônico altera as condições de reprodução dos mosquitos, mas não elimina nenhuma das doenças.
Enquanto a vazante pode ampliar os criadouros naturais do Anopheles, o calor e o armazenamento de água mantêm o risco de proliferação do Aedes aegypti.
Por isso, o controle depende da combinação entre vigilância pública, atuação dos agentes de endemias e cuidados semanais da população.
Eliminar água parada, proteger-se das picadas e procurar atendimento ao surgirem sintomas são medidas capazes de reduzir casos graves e mortes.
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