Presidente dos Estados Unidos fez a crítica em documento anual enviado ao Congresso; apesar do tom duro, Brasil não foi incluído entre os países classificados pelos EUA como tendo “falhado de maneira demonstrável” no combate às drogas.
O documento de Trump sobre PCC e Comando Vermelho elevou o tom das críticas dos Estados Unidos ao Brasil nesta quarta-feira (16). Em uma determinação anual enviada ao Congresso norte-americano, o presidente Donald Trump afirmou que o governo brasileiro, na avaliação de Washington, não conseguiu enfrentar adequadamente as duas facções criminosas.
No texto, Trump diz que PCC e CV ampliaram sua atuação internacional e associa as organizações ao fluxo global de cocaína. A classificação e a avaliação são posições formais do governo dos Estados Unidos, não conclusões adotadas pelo governo brasileiro.
A manifestação integra a chamada Major’s List, documento anual em que a Casa Branca identifica países relacionados à produção ou ao trânsito relevante de drogas ilícitas e apresenta avaliações sobre políticas de combate ao narcotráfico.
Documento de Trump sobre PCC e Comando Vermelho cobra reação do Brasil
Trump afirmou que o governo brasileiro deveria adotar medidas mais duras contra as facções e classificou PCC e Comando Vermelho como uma ameaça de alcance internacional.
A crítica ocorre meses depois de os Estados Unidos ampliarem medidas contra organizações criminosas brasileiras. Documentos oficiais norte-americanos já tratam PCC e CV como grupos relevantes para restrições de segurança e imigração, inclusive para análise de vistos de integrantes ativos.
O governo brasileiro, por sua vez, já havia contestado anteriormente a classificação norte-americana das facções como organizações terroristas, defendendo que o enfrentamento ao crime organizado deve ocorrer dentro da legislação brasileira, com cooperação internacional e respeito à soberania nacional.
Brasil não entrou na lista dos países considerados em falha grave
Apesar da crítica direta de Trump, há uma distinção importante no documento.
O Brasil não foi incluído entre os países que os Estados Unidos consideraram ter “falhado de maneira demonstrável” em cumprir obrigações internacionais de combate às drogas.
Na divulgação oficial da Casa Branca, essa classificação foi aplicada a Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia.
O Brasil também não aparece entre os 23 países incluídos na relação principal de grandes produtores ou rotas relevantes de drogas para o ano fiscal de 2027 divulgada pela Casa Branca.
Isso significa que a crítica política direcionada ao governo brasileiro não equivale, tecnicamente, às classificações mais graves previstas no mecanismo norte-americano.
O que muda com a classificação americana das facções
A política adotada pelos Estados Unidos amplia a capacidade das autoridades daquele país de aplicar restrições financeiras, migratórias e outras medidas contra integrantes ou pessoas relacionadas a grupos classificados em categorias de segurança nacional.
O Departamento de Estado já inclui PCC e Comando Vermelho em orientações consulares relativas à participação em organizações criminosas. Pessoas consideradas integrantes ativos podem enfrentar impedimentos para obtenção de visto norte-americano.
Essas regras, porém, têm efeito dentro da legislação e da jurisdição dos Estados Unidos e não alteram automaticamente a classificação jurídica das organizações no Brasil.
Brasil mantém operações contra organizações criminosas
A declaração de Trump ocorre no mesmo dia em que forças de segurança brasileiras realizaram uma grande operação integrada contra o crime organizado em 19 unidades da Federação.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, as ações mobilizaram unidades da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado e incluíram 106 mandados de prisão e 173 buscas, além do bloqueio e sequestro de mais de R$ 508 milhões em bens.
O Congresso brasileiro também discute alterações na política nacional de segurança. No início de setembro, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o texto-base da PEC da Segurança Pública, que prevê novas medidas contra facções, incluindo regras patrimoniais e regimes mais rígidos para lideranças criminosas.
Essas iniciativas não anulam a avaliação crítica feita pela Casa Branca, mas mostram que o combate às organizações criminosas segue sendo objeto de ações policiais e mudanças legislativas no país.
Trump também cobrou México, Canadá e China
O documento não se limita ao Brasil.
Trump também cobrou ações adicionais de México e Canadá para conter o tráfico de drogas e substâncias sintéticas destinadas aos Estados Unidos.
No caso da China, o presidente voltou a pressionar Pequim para intensificar o controle sobre substâncias químicas utilizadas na fabricação de fentanil e outras drogas sintéticas.
Ao mesmo tempo, o governo norte-americano apresentou avaliações mais favoráveis sobre alguns países latino-americanos, citando mudanças políticas e maior cooperação no combate ao narcotráfico.
O documento de Trump sobre PCC e Comando Vermelho adiciona, assim, mais um ponto de tensão diplomática entre Brasília e Washington na área de segurança pública, embora o Brasil tenha ficado fora das categorias formais mais severas da lista anual norte-americana.
Com informações de Agência Brasil
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