Plenário foi convocado após a Polícia Federal identificar cerca de 50 mensagens entre número atribuído ao ministro e Daniel Vorcaro; sessão foi marcada para as 10h e tem transmissão ao vivo.
O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analisa nesta terça-feira (15) se deve ser aberta uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e a suposta relação mantida com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A sessão extraordinária foi marcada para as 10h, com transmissão ao vivo pela TV Justiça e pela internet.
O caso chegou ao plenário após a Polícia Federal identificar, durante a análise do celular de Vorcaro, aproximadamente 50 mensagens trocadas com um número atribuído a Moraes antes da prisão do ex-banqueiro, ocorrida em novembro de 2025.
A existência das mensagens, no entanto, não representa comprovação de crime ou irregularidade. O STF deverá decidir justamente se há elementos e respaldo jurídico para permitir o avanço de uma investigação.
Mensagens surgiram durante investigação do Banco Master
Os registros foram encontrados a partir da quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero.
A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e circunstâncias envolvendo uma tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
Segundo as informações reunidas pela Polícia Federal, Vorcaro manteve contato com o número atribuído a Moraes antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.
Moraes não atuava como relator das investigações sobre o Banco Master no Supremo.
A aproximação entre o ministro e o ex-banqueiro passou a ser examinada após vir à tona que o escritório Barci de Moraes, pertencente à família de Alexandre de Moraes, havia prestado serviços jurídicos ao banco.
Esse vínculo profissional, isoladamente, também não comprova interferência do ministro nas investigações.
Mensagens mencionaram Gonet e diretor-geral da PF
Entre os diálogos identificados está uma mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, na qual Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações que, naquele momento, tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília.
Na conversa, o ex-banqueiro mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao questionar se seria possível tentar reverter a situação.
Apesar das citações, não há indicação de que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham interferido na investigação.
No dia seguinte, Vorcaro também mencionou o juiz federal Ricardo Leite, então responsável pelo caso, ao demonstrar preocupação com uma eventual prisão.
Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro por determinação do magistrado.
Fachin conduz julgamento
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, assumiu a relatoria da questão e definiu o rito da sessão.
Depois da abertura dos trabalhos e das formalidades iniciais, Fachin deverá apresentar o relatório do caso.
Na sequência, será dada a palavra à Procuradoria-Geral da República (PGR). Após a manifestação do órgão, começa a votação dos ministros.
O procedimento poderá ser interrompido caso algum integrante do tribunal apresente questão de ordem. Também existe a possibilidade de pedido de vista, hipótese que poderá suspender a conclusão do julgamento.
O STF não havia confirmado previamente se Alexandre de Moraes participaria da deliberação.
A participação do ministro Dias Toffoli também não estava confirmada. Ele já havia se declarado impedido em julgamentos relacionados ao Banco Master.
PGR questiona validade da apuração
A forma como as mensagens foram obtidas e aprofundadas tornou-se uma das principais controvérsias jurídicas do caso.
O procurador-geral Paulo Gonet defendeu a anulação do relatório da Polícia Federal que reuniu as conversas.
Segundo a PGR, o então relator André Mendonça teria avançado indevidamente sobre informações envolvendo um integrante do Supremo ao determinar o aprofundamento das análises sem autorização prévia do plenário.
Para Gonet, uma investigação específica contra ministro da Corte deveria ser autorizada previamente pelo próprio STF.
O plenário, portanto, terá de avaliar não apenas o conteúdo das mensagens, mas também se o procedimento que levou à produção do relatório foi juridicamente válido e qual destino deve ser dado às informações.
Moraes acusou Mendonça de motivação política
Desde que o conteúdo das conversas começou a ser divulgado, Moraes não havia se pronunciado especificamente sobre cada uma das mensagens apresentadas.
Após o caso ser encaminhado a Fachin, Moraes chegou a incluir André Mendonça no inquérito das fake news e alegou que o ministro teria direcionado a investigação contra ele por “motivos políticos”.
A medida acabou sendo posteriormente desfeita por Fachin.
A sessão desta terça-feira representa, portanto, uma etapa decisiva para definir se haverá investigação formal e quais elementos obtidos até agora poderão ser utilizados em eventual apuração.
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