País registrou o menor índice de violência letal desde 2012. No Amazonas, a redução chegou a 32,5%, enquanto 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em todo o país.
O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% em relação ao ano anterior. Em 2024, o país havia contabilizado 44.127 vítimas.
Os dados fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A taxa nacional passou de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes. Esse é o menor patamar desde o início da série histórica, em 2012, e a primeira vez que o indicador fica abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes.
Apesar da queda geral, o levantamento mostra um cenário diferente para os feminicídios e para as mortes decorrentes de intervenções policiais, que aumentaram no período.
O que são mortes violentas intencionais
A categoria de mortes violentas intencionais, conhecida pela sigla MVI, reúne diferentes crimes e ocorrências com resultado fatal.
O indicador inclui:
- homicídios dolosos;
- feminicídios;
- roubos seguidos de morte, conhecidos como latrocínios;
- lesões corporais seguidas de morte;
- mortes decorrentes de intervenções policiais;
- mortes de policiais em serviço ou fora do expediente.
Entre os crimes analisados, os homicídios dolosos caíram 10%. Os latrocínios apresentaram redução de 17%, enquanto as lesões corporais seguidas de morte recuaram 15,2%.
Por outro lado, as mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram 5,4% em 2025.
Amazonas registra queda de 32,5%
O Amazonas apresentou uma das maiores reduções de mortes violentas do país. O número de vítimas caiu de 1.173, em 2024, para 799, em 2025.
Com isso, o estado registrou uma redução de 32,5%, a maior entre as unidades da Região Norte.
A taxa amazonense também caiu de 27,4 para 18,5 mortes por 100 mil habitantes, ficando abaixo da média nacional de 19,1.
Segundo o levantamento, o Amazonas passou a ter a menor taxa de mortes violentas entre os sete estados da Região Norte.
Além do Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso apresentaram quedas expressivas, de 25,7% e 23,2%, respectivamente.
Sete estados registraram aumento
Embora a média nacional tenha diminuído, sete unidades da federação registraram crescimento nas mortes violentas intencionais.
O maior aumento ocorreu no Rio Grande do Norte, com alta de 19,6%. Em seguida aparecem Rondônia, com 7,5%, e Acre, com 6,3%.
Também houve crescimento em Roraima e no Distrito Federal, ambos com 5,8%, além de Mato Grosso do Sul, com 4,9%, e Rio de Janeiro, com 2,1%.
As diferenças entre os estados mostram que a redução da violência letal não ocorreu de maneira uniforme no país.
Feminicídios aumentam e atingem novo recorde
Enquanto as mortes violentas recuaram no conjunto nacional, os feminicídios seguiram na direção contrária.
O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica. O total representa uma alta de 4% em comparação com 2024 e corresponde a uma média de 4,3 mulheres mortas por dia.
A taxa nacional chegou a 1,4 vítima por grupo de 100 mil mulheres.
Além disso, 44,4% das mulheres assassinadas no país foram mortas por razões de gênero. Esse é o maior percentual registrado desde que o feminicídio foi incluído no Código Penal, em 2015.
Tentativas de feminicídio também cresceram
O Anuário também apontou aumento nas tentativas de feminicídio.
Ao todo, 4.189 mulheres sobreviveram a tentativas de feminicídio em 2025, crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Na prática, para cada feminicídio consumado, o país registrou quase três tentativas.
Quando considerados os crimes consumados e tentados, o Centro-Oeste apresentou a maior taxa do país, com 9,8 vítimas por 100 mil mulheres. A Região Norte aparece em seguida, com taxa de 8 vítimas por 100 mil.
O Sul registrou taxa de 5,2, enquanto o Nordeste teve 4,8 e o Sudeste, 4,2 vítimas por 100 mil mulheres.
Queda geral contrasta com violência contra mulheres
Os números revelam dois movimentos distintos na segurança pública brasileira.
Por um lado, o país alcançou o menor índice de mortes violentas intencionais desde 2012. Por outro, os feminicídios cresceram pelo quarto ano consecutivo e atingiram um novo recorde.
O levantamento reforça que a redução dos homicídios e de outros crimes letais não foi acompanhada por uma diminuição da violência de gênero.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é elaborado com dados fornecidos pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias e outras instituições oficiais.
Com informação de Agência Brasil
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