Júri reconheceu feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver; vítima tinha 19 anos e estava grávida de aproximadamente três meses.
Um homem foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão pela morte de Kariny Sevalho Lima, de 19 anos, ocorrida em maio de 2022, no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. A jovem estava grávida de aproximadamente três meses e mantinha um relacionamento com o réu, Victor de Souza Rocha.
O julgamento foi realizado na quinta-feira (17), no Fórum Ministro Henoch Reis, e terminou por volta das 23h. A condenação foi divulgada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Segundo a denúncia do Ministério Público do Amazonas, Kariny foi até a residência de Victor em 25 de maio de 2022 para conversar sobre a gravidez. A acusação sustentou que o réu não aceitava a gestação e pressionava a jovem para realizar um aborto.
Jovem desapareceu após ir à casa do namorado
De acordo com os autos, Kariny havia contado sobre a gravidez ao pai e à madrasta naquele mesmo dia e recebeu apoio para levar a gestação adiante.
Por volta das 19h, ela foi até a residência do namorado para informar sua decisão.
Como a jovem demorou a retornar, familiares tentaram contato por telefone e mensagens. O aparelho foi desligado pouco depois de ela chegar ao local.
O irmão da vítima então procurou Victor, que afirmou que Kariny já havia ido embora.
Testemunhas, porém, relataram que a jovem havia seguido com ele até uma área de mata próxima à residência e que apenas Victor retornou ao local.
Corpo foi encontrado em área de mata
No dia seguinte, o corpo de Kariny foi localizado por uma equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.
Segundo os autos, a vítima apresentava sinais de violência, com diversas lesões no crânio, face e membros superiores.
A acusação sustentou que o crime foi cometido com motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
O Ministério Público também atribuiu ao réu os crimes de aborto provocado por terceiro, ocultação de cadáver e injúria racial.
Júri reconheceu feminicídio e outros crimes
Durante o julgamento, os jurados reconheceram as quatro qualificadoras do homicídio: motivo torpe, meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e feminicídio.
Também foram reconhecidos os crimes de aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
A acusação de injúria racial, no entanto, não foi acolhida pelo Conselho de Sentença.
Na sentença, a qualificadora do feminicídio foi utilizada na definição da pena, enquanto as demais qualificadoras foram consideradas como agravantes na dosimetria.
Réu negou autoria
Preso desde 2023, Victor participou do julgamento e respondeu apenas às perguntas da defesa e dos jurados.
Ele negou ter cometido o crime.
A defesa pediu absolvição por falta de provas de autoria e também contestou os crimes conexos apresentados pelo Ministério Público.
Com a condenação, a juíza Danielle Monteiro Fernandes Augusto manteve a prisão do réu para início imediato do cumprimento da pena.
Ele não poderá recorrer em liberdade.
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