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sábado, outubro 10, 2026

Debate ao Governo do Amazonas expõe diferenças entre candidatos

Debate ao Governo do Amazonas tem embates sobre saúde, segurança, educação e ausência de Roberto Cidade

David Almeida, Maria do Carmo, Omar Aziz e Isael Munduruku participaram do encontro promovido pela Band; governador Roberto Cidade não compareceu e acabou se tornando um dos principais alvos da noite.

O primeiro grande debate ao Governo do Amazonas em 2026 reuniu David Almeida, do Avante, Maria do Carmo Seffair, do PL, Omar Aziz, do PSD, e Isael Munduruku, da Rede, em uma noite marcada por críticas à atual gestão estadual, confronto direto entre candidatos e propostas nas áreas de saúde, segurança pública, educação, gestão financeira e desenvolvimento do interior.

O governador Roberto Cidade, do União Brasil, havia sido convidado, mas não participou. Segundo nota lida pela Band, a campanha informou que, por orientação jurídica, ele não participaria de debates ou sabatinas antes do início oficial da campanha, em 16 de agosto. A equipe também alegou identificar uma estratégia dos adversários para transformar os encontros em um “palanque de ataques” contra o governador. A emissora informou que recebeu a confirmação da ausência cerca de 40 minutos antes do início do programa.

A ausência acabou influenciando praticamente todo o debate. David, Omar, Maria do Carmo e Isael fizeram referências diretas a Roberto Cidade em diferentes momentos, principalmente ao discutir saúde, orçamento, segurança e a continuidade da administração iniciada por Wilson Lima.

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As declarações, números e acusações feitas durante o programa representam as posições apresentadas pelos próprios candidatos no debate e não necessariamente fatos verificados pela reportagem.

Roberto Cidade vira alvo mesmo fora do debate

O tom contra Roberto Cidade começou ainda nas apresentações.

Omar Aziz criticou a ausência e afirmou que uma autoridade pública deveria estar presente para responder sobre a administração. David Almeida passou a relacionar Cidade diretamente ao legado de Wilson Lima, enquanto Maria do Carmo questionou a forma como o atual governador chegou ao cargo. Isael Munduruku também associou Cidade à gestão anterior em críticas posteriores.

A campanha de Cidade, por sua vez, afirmou na nota que não pretendia participar de um “jogo combinado” de adversários e que o governador estaria disponível para debater após 16 de agosto, durante o período oficial da campanha.

A ausência foi lembrada novamente no encerramento. Como havia um púlpito a menos ocupado, os quatro candidatos presentes receberam três minutos, em vez de um minuto e meio, para suas considerações finais.

Saúde domina boa parte do confronto

A saúde pública foi um dos temas que mais mobilizaram os candidatos.

Isael Munduruku abriu um dos primeiros confrontos questionando Omar Aziz sobre os problemas que permaneceram no interior apesar de sua passagem pelo governo. Omar respondeu destacando hospitais construídos durante suas gestões e propôs oito hospitais regionais com 150 leitos e especialistas.

Isael defendeu a descentralização do atendimento e afirmou que grandes estruturas hospitalares deveriam ser instaladas em municípios estratégicos nas diferentes calhas de rios, reduzindo a dependência de Manaus.

David Almeida adotou como uma de suas principais promessas a redução da fila por consultas, exames e cirurgias. Ele sustentou que pretende reproduzir no Estado políticas implantadas durante sua passagem pela Prefeitura de Manaus e afirmou que não pretende terceirizar serviços de urgência e emergência.

Em uma pergunta específica sobre gestão hospitalar, David criticou o modelo atual e apresentou a expansão da atenção primária em Manaus como referência para seu projeto estadual.

Isael, no comentário, fez uma crítica ainda mais direta ao modelo de administração hospitalar, afirmando que pretende devolver ao poder público a gestão dos hospitais.

Segurança pública coloca Omar e David frente a frente

Outro dos principais confrontos ocorreu entre Omar Aziz e David Almeida.

Omar perguntou a David qual seria seu projeto para enfrentar a criminalidade. David respondeu citando sua passagem temporária pelo Governo do Amazonas em 2017 e a criação da Guarda Municipal armada durante sua administração em Manaus.

Entre as propostas apresentadas por David estão valorização das polícias, regularização das promoções, pagamento de benefícios, convocação de aprovados em concursos e integração com guardas municipais no interior.

Omar apresentou como referência o programa Ronda no Bairro e prometeu reforçar o efetivo policial. Entre suas propostas estão concurso para 5 mil policiais militares, novos delegados e agentes e funcionamento das delegacias 24 horas na capital e no interior.

David rebateu fazendo críticas ao antigo Ronda no Bairro e afirmou que pretende fortalecer e integrar as forças estaduais e municipais.

Isael apresentou uma abordagem diferente. Segundo ele, segurança pública não pode ser tratada exclusivamente como problema policial. O candidato defendeu integração das forças estaduais com a inteligência federal e maior atuação nas rotas do tráfico de drogas pelas calhas dos rios.

David Almeida e Maria do Carmo protagonizam confronto mais duro

O embate mais pessoal da noite ocorreu entre David Almeida e Maria do Carmo.

David questionou a experiência da candidata na administração pública e citou projetos privados associados a ela que, segundo ele, não teriam sido entregues no prazo, incluindo o Tropical Hotel e a Santa Casa de Misericórdia.

Maria respondeu destacando sua experiência como empresária e gestora educacional. Ela afirmou ter construído uma instituição de ensino presente em dezenas de municípios e argumentou que sua experiência na iniciativa privada a credencia para administrar o Estado.

A discussão avançou para os indicadores da educação.

Maria criticou os resultados da rede estadual e apresentou sua experiência no ensino superior como contraponto. David respondeu diferenciando os resultados da educação municipal daqueles de responsabilidade do Estado e passou a questionar indicadores de cursos vinculados à instituição administrada pela candidata.

Maria reagiu com uma fala dura e atribuiu o atraso na recuperação do Tropical Hotel à falta de financiamento, afirmando que o projeto seria realizado com recursos privados.

As duas campanhas solicitaram direito de resposta após o confronto, mas ambos os pedidos foram negados pela organização do debate.

O duelo foi retomado posteriormente, com críticas sobre educação, pavimentação, agricultura e a faculdade administrada por Maria do Carmo.

Maria do Carmo apresenta candidatura como ruptura com políticos tradicionais

Ao longo do programa, Maria do Carmo procurou posicionar sua campanha como uma alternativa aos grupos que já governaram o Amazonas.

Ela repetiu diversas vezes o argumento de que pretende levar práticas da gestão privada para o governo e afirmou que sua candidatura representa uma mudança em relação aos políticos que se alternam no poder.

Maria destacou sua atuação empresarial e na educação e também reforçou o apoio da família Bolsonaro à candidatura.

Em uma discussão sobre orçamento, fez acusações sobre contratos públicos e afirmou que pretende realizar uma revisão rigorosa dos gastos do Estado. As acusações feitas pela candidata no debate não foram acompanhadas, naquele momento, de comprovação apresentada no programa.

Nas considerações finais, ela voltou a se apresentar como a opção de “mudança”, afirmando que pretende transferir sua experiência de 25 anos na gestão privada para a administração estadual.

Isael confronta Maria do Carmo sobre política indígena

Um dos embates mais ideológicos ocorreu entre Isael Munduruku e Maria do Carmo.

Maria perguntou quais seriam as propostas de Isael para os povos indígenas. Ele respondeu criticando a política indigenista associada ao bolsonarismo e colocou a demarcação de terras e o protagonismo das comunidades no centro de sua proposta.

Isael afirmou que pretende transformar os povos indígenas em protagonistas de políticas econômicas e sociais, valorizando conhecimento tradicional e formas próprias de desenvolvimento.

Na réplica, Maria argumentou que os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas atravessam diferentes governos e afirmou que pretende atuar em áreas como água potável, saúde e oportunidades para jovens.

Isael voltou a criticar a linha política do PL e pediu aos eleitores indígenas que avaliem o posicionamento nacional do partido sobre demarcações.

O candidato da Rede também usou o debate para tentar ocupar um espaço político mais claramente identificado com a esquerda. Nas considerações finais, pediu apoio de eleitores desse campo e prometeu combinar ciência, conhecimento tradicional, participação social e valorização dos servidores.

Omar Aziz aposta na experiência para defender retorno ao governo

Omar Aziz procurou transformar sua experiência administrativa em principal argumento eleitoral.

Ao ser questionado por Isael sobre o fato de já ter ocupado diferentes cargos de poder no Amazonas, respondeu enumerando obras e programas de seus governos e afirmou que pretende recuperar estruturas que, segundo ele, foram abandonadas.

Na saúde, prometeu hospitais regionais e redução da fila de atendimento. Na segurança, apresentou concursos públicos e reabertura permanente das delegacias.

Na educação, defendeu valorização dos professores, escolas de tempo integral e programas de reforço para estudantes no contraturno.

Também falou sobre produção rural e pesquisas capazes de ampliar cadeias como café e açaí, além de ações para dependentes químicos.

Nas considerações finais, voltou a prometer concurso para 5 mil policiais, delegacias funcionando 24 horas, valorização de professores e maior investimento no setor primário.

Educação abre outro campo de disputa

A educação apareceu tanto nas propostas quanto nos ataques.

Omar Aziz destacou sua própria formação na rede pública e defendeu conectividade, qualificação profissional, escola integral e reforço escolar.

Isael concordou com a importância da tecnologia, mas alertou que conectividade não pode substituir professores. Ele prometeu melhorar salários, carreiras e infraestrutura das escolas.

Maria do Carmo centrou sua participação na experiência de gestão educacional privada. Ela questionou indicadores apresentados por David e disse que pretende priorizar aprendizagem básica, leitura, interpretação e preparação dos alunos para o mercado e para o ensino superior.

David utilizou os resultados que atribuiu à educação municipal como modelo para defender a expansão das políticas de Manaus para todo o Amazonas.

Orçamento e gastos públicos também entram no debate

Uma das perguntas feitas pelos jornalistas cobrou dos candidatos explicações sobre como financiar as propostas apresentadas.

O questionamento partiu da constatação de que saúde, segurança e educação demandariam investimentos elevados e perguntou de onde sairiam os recursos.

Omar Aziz defendeu revisão de contratos, aluguéis e serviços, além de ajuste fiscal. Segundo ele, haveria espaço orçamentário para ampliar investimentos caso houvesse maior controle dos gastos.

Maria do Carmo também colocou revisão contratual e fiscalização como pontos centrais de sua proposta de gestão.

David concentrou as críticas no volume de recursos administrados pelas gestões de Wilson Lima e Roberto Cidade e argumentou que seria possível entregar mais serviços com o orçamento disponível.

Interior e agricultura aparecem na reta final

O desenvolvimento do interior também apareceu entre os temas.

David Almeida defendeu a criação de um zoneamento econômico e ecológico e afirmou que pretende ampliar políticas de agricultura familiar para o restante do Estado.

Omar Aziz citou cadeias produtivas como café e açaí e defendeu maior atuação do governo no financiamento e incentivo ao setor primário.

Isael relacionou desenvolvimento econômico à biodiversidade e ao conhecimento tradicional, enquanto Maria do Carmo apresentou empreendedorismo, educação e melhoria da gestão pública como instrumentos para gerar oportunidades.

O que cada candidato tentou transmitir

David Almeida procurou vender a ideia de que sua passagem pela Prefeitura de Manaus é uma demonstração prática de capacidade administrativa. Sua frase central ao longo do debate foi, em essência, a promessa de levar para o Estado aquilo que afirma ter realizado na capital. Entre suas propostas estavam zerar filas de atendimento, dobrar o auxílio estadual, fortalecer a segurança e ampliar programas sociais.

Omar Aziz apostou na experiência de quem já governou o Amazonas. Recuperou programas e obras de administrações anteriores e argumentou que poderia reconstruir estruturas hoje consideradas precárias, com destaque para hospitais regionais, concursos na segurança, delegacias 24 horas e escolas integrais.

Maria do Carmo buscou ocupar o espaço de candidata de ruptura. Sua mensagem foi de que a experiência empresarial e educacional permitiria administrar o Estado com maior controle de gastos, eficiência e foco em resultados.

Isael Munduruku apresentou uma candidatura mais ideológica e ligada à participação social. Defendeu descentralização da saúde, valorização dos professores, fortalecimento dos povos indígenas, integração entre ciência e conhecimentos tradicionais e nova abordagem para segurança pública.

Ausência de Roberto Cidade foi o quinto personagem do debate

Embora não estivesse no palco, Roberto Cidade esteve no centro de boa parte das discussões.

Seus adversários utilizaram a ausência para criticar a administração estadual e tentar vinculá-lo diretamente aos problemas atribuídos ao governo de Wilson Lima.

A campanha de Cidade respondeu antecipadamente na nota enviada à Band, argumentando que não pretendia participar de debates antes do período oficial e que identificava uma tentativa coordenada de transformá-lo em alvo comum dos adversários.

Assim, além do confronto entre os quatro candidatos presentes, o debate ao Governo do Amazonas em 2026 acabou funcionando como uma primeira demonstração de uma tendência que poderá se repetir durante a campanha: de um lado, adversários tentando responsabilizar Roberto Cidade pela continuidade da atual administração; de outro, o governador tentando defender o próprio legado e responder às críticas dentro de uma estratégia eleitoral própria.

Leia também: MPF cobra ação integrada contra garimpo ilegal no Amazonas

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