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quinta-feira, setembro 3, 2026

Rio Negro pode chegar a 12,31 metros em Manaus no pior cenário da vazante de 2026

Serviço Geológico do Brasil projeta diferentes cenários para o pico da seca; estimativas para Manaus variam entre 12,31 m e 16,50 m, conforme o comportamento da descida do rio.

Vazante do rio Negro pode ficar entre as mais severas já registradas

O rio Negro em Manaus pode atingir níveis entre 12,31 metros e 16,50 metros no pico da vazante de 2026, segundo projeções divulgadas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).

A análise considera diferentes padrões históricos de descida do rio e indica que, em um cenário mais severo, Manaus poderá enfrentar uma das estiagens mais fortes já observadas.

As estimativas foram elaboradas a partir do comportamento registrado em anos anteriores, incluindo períodos de forte influência do El Niño.

Serviço Geológico do Brasil projeta diferentes cenários para a vazante de 2026 em Manaus, incluindo possibilidade de nível abaixo de 13 metros.
Serviço Geológico do Brasil projeta diferentes cenários para a vazante de 2026 em Manaus, incluindo possibilidade de nível abaixo de 13 metros. Foto: Jean Hassah/SGB

Pior cenário coloca rio abaixo de 13 metros

Segundo o SGB, se a descida do rio Negro em Manaus ocorrer em ritmo semelhante ao observado em 2015 e aos valores associados ao percentil de 5% da série histórica, a cota poderá ficar abaixo de 13 metros em 31 de outubro.

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No cenário mais extremo apresentado pelo levantamento, a projeção chega a aproximadamente 12,31 metros.

Esse patamar colocaria o rio em uma faixa considerada excepcionalmente baixa para Manaus.

Cenário semelhante a 2023 indica 13,37 metros

Outra projeção utiliza como referência o comportamento registrado durante a vazante de 2023.

Nesse cenário, o rio Negro chegaria a aproximadamente 13,37 metros.

A estimativa também representa um nível bastante baixo e reforça a possibilidade de impactos significativos caso a descida se mantenha acelerada durante setembro e outubro.

Se repetir 2024, nível pode ficar em 16,32 metros

Em um cenário menos severo, semelhante ao comportamento observado em 2024, a projeção do SGB aponta cota de 16,32 metros.

Esse valor corresponde a uma taxa de descida próxima ao percentil de 30% da série histórica da estação de Manaus.

Apesar de ser um cenário menos crítico, o próprio SGB considera esse nível baixo para a região.

Rio estava em 24,19 metros no fim de agosto

Os cálculos utilizados pelo Serviço Geológico do Brasil tiveram como referência os níveis registrados no dia 31 de agosto de 2026.

Na ocasião, o rio Negro em Manaus estava em 24,19 metros.

Em Tabatinga, o rio Solimões registrava 2,94 metros, enquanto em Itacoatiara, no rio Amazonas, o nível estava em 10,06 metros.

Manaus perdeu 85 centímetros em uma semana

O boletim hidrológico mais recente também mostra que a vazante segue acelerada na capital amazonense.

O rio Negro perdeu 85 centímetros em sete dias.

Nas últimas 24 horas consideradas pelo boletim, a queda foi de 14 centímetros, levando a cota para aproximadamente 24,04 metros.

Segundo o SGB, esse comportamento indica uma redução mais constante dos níveis na parte mais baixa da bacia.

Projeções ainda têm margem de incerteza

O Serviço Geológico do Brasil ressalta que as previsões são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas a incertezas.

Isso significa que os valores apresentados não representam uma cota definitiva para o rio no fim da vazante.

A intensidade das chuvas nas próximas semanas, o comportamento dos rios afluentes e a velocidade da descida podem alterar significativamente o resultado final.

Tabatinga também pode atingir nível crítico

As projeções do SGB também trazem preocupação para Tabatinga, no Alto Solimões.

A estimativa indica que o rio pode atingir entre -31 centímetros e 1,78 metro durante a vazante.

A cota de emergência do município é de 1,50 metro.

Isso significa que, nos cenários mais severos, o nível poderá ficar abaixo da marca considerada de emergência.

Itacoatiara pode chegar a apenas 57 centímetros

Em Itacoatiara, a projeção para 31 de outubro varia entre 57 centímetros e 3,32 metros.

Os cálculos levaram em consideração taxas de descida observadas em anos com forte impacto do El Niño.

Assim como em Manaus, o resultado final dependerá do comportamento da bacia ao longo das próximas semanas.

Maioria das estações ainda está dentro da normalidade

Apesar das projeções preocupantes, o 35º Boletim de Alerta Hidrológico aponta que a maioria das estações monitoradas ainda registra níveis dentro da faixa considerada normal para o período ou próxima da mediana histórica.

A exceção mais relevante está na Bacia do Rio Branco, em Roraima, onde os níveis seguem abaixo do esperado para esta época do ano.

Solimões segue em vazante

Na Bacia do Rio Solimões, a vazante continua de forma generalizada.

Entre os níveis registrados estão:

  • Tabatinga: 3 metros;
  • Fonte Boa: 14,57 metros;
  • Itapéua, em Coari: 11,64 metros;
  • Manacapuru: 14,95 metros.

Todas essas estações apresentaram redução de nível ao longo da semana.

Purus se aproxima do limite inferior

Na Bacia do Rio Purus, alguns pontos já apresentam níveis próximos ao limite inferior da faixa histórica.

Em Beruri, a cota estava em 15,92 metros, após queda de 92 centímetros na semana.

No rio Acre, em Rio Branco, o nível chegou a 1,78 metro, com redução de 56 centímetros.

Rio Madeira apresenta comportamento diferente

A Bacia do Rio Madeira apresenta um cenário mais variado.

Em Porto Velho, o nível caiu para 4,49 metros, enquanto em Humaitá houve comportamento contrário.

Na cidade amazonense, o rio subiu 45 centímetros na semana, atingindo 12,56 metros.

Rio Amazonas segue em descida

Na calha do Amazonas, a predominância também é de vazante.

As cotas registradas foram:

  • Careiro: 11,83 metros;
  • Itacoatiara: 9,95 metros;
  • Parintins: 5,13 metros;
  • Óbidos: 4,92 metros;
  • Santarém: 4,73 metros.

Apesar da redução, muitos desses pontos ainda permanecem próximos da mediana histórica.

Rio Branco segue abaixo da normalidade

Na Bacia do Rio Branco, em Roraima, houve uma pequena recuperação nos últimos dias, mas os níveis continuam baixos.

Em Boa Vista, o rio subiu 3 centímetros na semana e chegou a 1,39 metro.

Em Caracaraí, a elevação foi de 7 centímetros, com cota de 2,13 metros.

Mesmo com essa alta, as estações continuam abaixo da faixa de normalidade e próximas das mínimas históricas para o período.

Monitoramento é realizado desde 1989

No Amazonas, o Serviço Geológico do Brasil mantém desde 1989 o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas (SAH Amazonas).

O sistema acompanha continuamente os ciclos de cheia e vazante dos rios Solimões, Negro e Amazonas.

Os dados são atualizados semanalmente por meio do Boletim de Monitoramento da Bacia do Amazonas.

Próximas semanas serão decisivas

O comportamento do rio Negro em Manaus durante setembro e outubro será determinante para definir qual dos cenários projetados pelo SGB estará mais próximo da realidade.

Caso a velocidade de descida se aproxime de anos como 2015 ou 2023, Manaus poderá enfrentar níveis excepcionalmente baixos.

Se a vazante seguir um padrão menos intenso, semelhante ao observado em 2024, o rio ainda poderá terminar o período de seca em uma faixa baixa, mas menos extrema.

O SGB continuará atualizando as projeções conforme novos dados forem registrados.

Leia também: CCJ do Senado aprova PEC que acaba com escala 6×1

 

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