Revelações extraídas do celular de Daniel Vorcaro mobilizaram candidatos à Presidência, parlamentares, integrantes do governo e entidades jurídicas, que cobram investigação e esclarecimentos.
Mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro ampliam crise política
A divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro provocou uma série de reações no Congresso, entre candidatos à Presidência da República e em entidades jurídicas após a retirada do sigilo de documentos relacionados às investigações do Banco Master.
Os diálogos foram extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mostram interações com um contato salvo com o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo a BBC News Brasil, os arquivos também contêm referências a pessoas ligadas à família do magistrado.
O material integra a investigação da Polícia Federal sobre a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Flávio Bolsonaro pede saída de Moraes
Entre as primeiras reações após a divulgação dos documentos esteve a do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em pronunciamento no Senado, Flávio afirmou que Alexandre de Moraes “não tem mais condições de permanecer no cargo” e defendeu que o ministro renuncie.
O senador classificou as revelações como graves e afirmou que Moraes deveria prestar esclarecimentos sobre as informações encontradas no celular de Vorcaro.
Apesar das críticas, Flávio também afirmou ser necessário aguardar o andamento das investigações.
Romeu Zema pede prisão de Moraes
O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) adotou discurso ainda mais duro.
Segundo a BBC, o ex-governador de Minas Gerais chamou Moraes de “projetinho de ditador” e declarou que impeachment seria insuficiente, defendendo prisão do ministro.
A declaração representa a posição política de Zema e não uma conclusão judicial sobre eventual prática de crime por parte de Moraes.
Augusto Cury volta a defender mandato para ministros do STF
Também candidato à Presidência, Augusto Cury (Avante) aproveitou o episódio para defender uma mudança na composição do Supremo.
Ao comentar o caso durante evento no Rio Grande do Sul, Cury afirmou que ministros do STF deveriam ter mandato de oito anos.
O candidato disse manter respeito por integrantes da Corte, mas reiterou que defende prazo determinado para permanência no tribunal.
Caiado diz que caso precisa ser esclarecido
O candidato presidencial Ronaldo Caiado (PSD) também comentou as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro.
Caiado afirmou que o caso demonstra que Daniel Vorcaro teria mantido proximidade com diferentes setores do poder e defendeu que todas as pessoas envolvidas prestem esclarecimentos.
Segundo ele, qualquer autoridade que tenha usado sua posição para beneficiar o ex-banqueiro deve responder sobre os fatos.
Renan Santos anuncia pedido de impeachment
O candidato do Missão, Renan Santos, também pediu o afastamento de Alexandre de Moraes.
Durante coletiva de imprensa, Renan afirmou que o ministro não teria condições de continuar em posição de poder e anunciou pedidos de impeachment contra Moraes e contra o ministro Dias Toffoli.
As declarações ocorreram em meio a uma disputa paralela de Renan com decisões da Justiça Eleitoral sobre sua campanha.
Tarcísio defende investigação
O governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) adotou tom mais moderado.
Ao ser questionado por jornalistas, classificou os novos fatos como graves e disse que as informações precisam ser investigadas.
Tarcísio destacou que existem procedimentos sob responsabilidade do ministro André Mendonça e afirmou que o caso deve ser esclarecido de maneira transparente.
Nikolas Ferreira pede investigação e prisão
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também reagiu às revelações.
Nas redes sociais, pediu investigação e prisão de Alexandre de Moraes e manifestou apoio ao ministro André Mendonça, relator de procedimentos relacionados ao caso.
A manifestação se soma às pressões de integrantes da oposição sobre o Supremo após a divulgação das mensagens.
Carlos Viana e Damares defendem afastamento
O senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou já ter apresentado pedido de impeachment contra Moraes e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a análise do requerimento.
A senadora Damares Alves (PL-DF) defendeu que Moraes se afaste temporariamente do cargo enquanto as investigações estiverem em andamento.
Segundo ela, o afastamento seria necessário para preservar a instituição representada pelo ministro.
Gleisi diz que impeachment não deve ser tabu
A candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT) também comentou o tema.
Em entrevista à Globo, Gleisi afirmou não considerar problemático discutir impeachment de ministros do STF quando existirem irregularidades que justifiquem a abertura de processo.
Segundo ela, cabe constitucionalmente ao Senado processar e julgar ministros das cortes superiores quando houver procedimento instaurado.
Governo defende investigação com direito de defesa
No campo governista, o líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT), defendeu a continuidade das investigações.
Pimenta afirmou que as suspeitas envolvendo o Banco Master e demais personagens mencionados devem ser apuradas pelas instituições, garantindo ao mesmo tempo o direito de defesa dos envolvidos.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também declarou que o caso deve ser esclarecido independentemente de quem esteja envolvido.
Haddad classificou as suspeitas relacionadas ao Banco Master como graves e afirmou que tudo deve ser “passado a limpo”.
Simone Tebet pede abertura de inquérito
A candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) defendeu que o plenário do STF analise a abertura de inquérito sobre Alexandre de Moraes.
Ela também cobrou que investigações envolvendo Flávio Bolsonaro recebam o mesmo grau de transparência e afirmou que nenhuma autoridade está acima da lei.
OAB pede apuração rigorosa e isenta
A repercussão também alcançou entidades jurídicas.
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou acompanhar o caso com “atenção e extrema preocupação”.
Em nota, a instituição defendeu apuração rigorosa e isenta, com respeito ao devido processo legal, ampla defesa e presunção de inocência.
A OAB também manifestou preocupação com possíveis impactos institucionais da crise em pleno período eleitoral.
Transparência Internacional fala em grave crise institucional
A organização Transparência Internacional também divulgou posicionamento.
A entidade afirmou considerar o episódio um dos momentos mais graves da história institucional recente do país e defendeu investigação integral, transparência e preservação das instituições.
As declarações representam a avaliação da organização e não uma conclusão jurídica sobre a responsabilidade de qualquer ministro.
Contrato de R$ 131 milhões aparece nas mensagens
Outro ponto revelado nos documentos envolve um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Segundo a BBC, mensagens mostram Vorcaro cobrando atenção a pagamentos relacionados ao contrato.
A reportagem também cita revelação do jornal O Estado de S. Paulo segundo a qual metadados de um documento extraído do celular de Vorcaro indicariam Alexandre de Moraes como responsável por editar a última versão do contrato.
Escritório diz que consultou Moraes sobre impedimentos
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes para verificar se havia eventual impedimento legal relacionado à contratação pelo Banco Master.
O posicionamento foi divulgado após a publicação dos documentos.
PF não recuperou respostas atribuídas a Moraes
Um dos pontos relevantes da investigação é que não foram recuperadas, no material divulgado, respostas atribuídas diretamente a Moraes.
Segundo a reportagem, Vorcaro escrevia mensagens no bloco de notas do celular, fazia capturas de tela e as enviava como imagens de visualização única.
A Polícia Federal teria conseguido recuperar os prints produzidos por Vorcaro e cruzar os horários desses arquivos com as mensagens enviadas ao contato salvo em nome do ministro.
Esse elemento exige cautela: a existência dos registros atribuídos a Vorcaro não permite, isoladamente, reconstruir todo o conteúdo ou contexto das supostas conversas.
Caso passa agora por análise institucional
As mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro permanecem sob análise das instituições responsáveis.
O ministro André Mendonça já defendeu que os novos elementos sejam examinados pelo plenário do STF, enquanto a Procuradoria-Geral da República também deverá se manifestar sobre o material.
Até o momento, as informações divulgadas representam elementos de investigação e não uma decisão judicial que reconheça a prática de crime por Alexandre de Moraes.
A repercussão política, porém, já transformou o episódio em um dos principais temas do início de setembro em Brasília.
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