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sábado, julho 25, 2026

Greve dos rodoviários chega ao terceiro dia com frota reduzida em Manaus

TRT-11 determinou a circulação de 80% dos ônibus nos horários de pico e de 50% nos demais períodos, sob multa de R$ 120 mil por hora de descumprimento.

A greve dos trabalhadores do transporte coletivo de Manaus chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira (22), sem previsão oficial de encerramento. Apesar da continuidade do movimento, os ônibus circulam parcialmente para cumprir os percentuais estabelecidos pela Justiça do Trabalho.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota estava em operação nos horários de maior movimento. A categoria, entretanto, mantém a paralisação enquanto aguarda avanços nas negociações sobre salários e outros direitos trabalhistas.

Justiça determina frota mínima durante a greve

A determinação foi expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), e não pela Justiça Federal.

A liminar obriga o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) a garantir a circulação de pelo menos 80% da frota das 6h às 9h e das 17h às 20h.

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Nos demais períodos do dia, o sistema deve funcionar com, no mínimo, 50% dos ônibus e dos trabalhadores.

O descumprimento da ordem pode resultar em multa de R$ 120 mil por hora de paralisação aplicada ao sindicato dos rodoviários. A decisão também declarou abusiva a interrupção integral do serviço, considerando a ausência de aviso prévio de 72 horas e a paralisação completa de uma atividade essencial.

Paralisação começou na segunda-feira

A greve começou na segunda-feira (20), quando os trabalhadores interromperam a circulação dos ônibus na capital amazonense.

A categoria reivindica o pagamento de salários atrasados, horas extras ainda não quitadas e a suspensão de demissões de cobradores.

Mesmo após o retorno parcial dos veículos às ruas, os rodoviários afirmam que o movimento continua. A normalização total depende de um acordo entre trabalhadores, empresas e os responsáveis pelo financiamento do sistema.

Passageiros ainda enfrentam impactos

Com a frota abaixo da capacidade habitual, passageiros podem enfrentar intervalos maiores, pontos mais cheios e lotação nos ônibus.

Os efeitos tendem a ser mais intensos fora dos horários de pico, quando a decisão judicial exige apenas metade da frota em circulação.

A paralisação afeta principalmente trabalhadores e estudantes que dependem exclusivamente do transporte coletivo para realizar os deslocamentos diários.

Passe Livre Estudantil está no centro da disputa

A greve também expôs um impasse entre o Governo do Amazonas, a Prefeitura de Manaus e as empresas de ônibus sobre o financiamento do transporte coletivo.

Um dos principais pontos de divergência é o custeio do Passe Livre Estudantil concedido aos alunos da rede estadual.

O benefício teve origem em um acordo entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus. Atualmente, as partes apresentam cálculos diferentes sobre os valores que deveriam ser repassados ao sistema.

O Governo do Amazonas afirma que cumpriu os valores definidos pela Justiça. Já o Sinetram sustenta que os pagamentos não cobrem o custo integral das passagens utilizadas pelos estudantes.

Governo deposita R$ 18 milhões ao Sinetram

Na terça-feira (21), o Governo do Amazonas anunciou e confirmou o depósito de R$ 18 milhões na conta do Sinetram.

Segundo o Executivo estadual, o valor corresponde aos meses de fevereiro a julho de 2026, considerando parcelas mensais de R$ 3 milhões para o custeio das passagens dos estudantes da rede estadual.

O vice-governador Serafim Corrêa afirmou que o montante representa o valor reconhecido pelo Estado com base na decisão judicial que considera a meia-passagem de R$ 2,50 por estudante.

O Sinetram, porém, adota um cálculo diferente e alega que a dívida estadual seria superior. A entidade considera o custo técnico integral da operação e afirma que o passivo relacionado aos créditos estudantis chega a aproximadamente R$ 44,6 milhões.

Prefeitura nega dívida de 2026

A Prefeitura de Manaus afirma que não possui débitos pendentes referentes a 2026 e que suas obrigações financeiras estão sendo regularmente cumpridas.

Em nota, o município declarou que mantém os pagamentos necessários ao funcionamento do sistema e que segue acompanhando as negociações entre empresas e rodoviários.

O prefeito Renato Junior também afirmou que a administração municipal já repassou aproximadamente R$ 284 milhões ao transporte coletivo em 2026 e que não deve valores relacionados ao Passe Livre dos estudantes da rede municipal.

Documento aponta cobrança contra o município

Apesar da versão apresentada pela Prefeitura, documentos citados durante a disputa indicam que o Sinetram cobra valores adicionais do município.

Uma ação apresentada à Justiça menciona um passivo de aproximadamente R$ 190,4 milhões, somando parcelas de subsídios de 2025 e 2026 que, segundo as empresas, não teriam sido integralmente pagas.

O valor é contestado pela Prefeitura de Manaus e ainda está submetido à discussão judicial. Portanto, não representa uma dívida definitivamente reconhecida pelo município ou pela Justiça.

Impasse continua sem previsão de acordo

Até o momento, não há confirmação de acordo entre trabalhadores e empresas para encerrar a greve.

O repasse de R$ 18 milhões feito pelo Governo do Amazonas pode contribuir para o fluxo de caixa do sistema. No entanto, permanecem as divergências sobre os valores devidos pelo Estado e pelo município, além das reivindicações trabalhistas apresentadas pelos rodoviários.

Enquanto as negociações continuam, a circulação dos ônibus permanece condicionada aos percentuais definidos pelo TRT-11.

Leia também: Suspeito de aplicar golpes com falsas vagas de emprego é preso em Manaus

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