Um grupo suspeito de golpes em Manaus teria movimentado cerca de R$ 8 milhões em aproximadamente um ano, segundo investigação da Polícia Civil do Amazonas. O esquema foi alvo da Operação Avalanche, deflagrada nesta quinta-feira (6).
De acordo com a PC-AM, a organização criminosa seria liderada por um advogado e utilizava anúncios publicados em redes sociais e plataformas de comércio eletrônico para atrair possíveis vítimas.
Os negócios oferecidos envolviam principalmente imóveis, veículos e consórcios. As vítimas pagavam valores de entrada acreditando estar fechando operações legítimas, mas, conforme a investigação, os bens ou serviços prometidos não eram entregues.
A operação foi coordenada pelo 1º Distrito Integrado de Polícia, em Manaus.
Empresas eram utilizadas para dar aparência de legalidade
Segundo o delegado Cícero Túlio, titular do 1º DIP, o grupo teria utilizado diversas empresas para transmitir credibilidade às negociações.
A estrutura empresarial permitia que as ofertas apresentadas às vítimas aparentassem ser negócios regulares.
“O grupo utilizava um conglomerado de empresas para conferir aparência de legalidade aos negócios fraudulentos. As pessoas lesadas pagavam quantias de entrada acreditando fechar os negócios, mas os valores eram desviados sem a entrega dos bens ou serviços prometidos”, explicou o delegado.
A Polícia Civil investiga a função desempenhada por cada empresa e a forma como os recursos recebidos eram distribuídos.
Anúncios nas redes sociais atraíam vítimas
As plataformas digitais teriam papel central no funcionamento do esquema.
Segundo a investigação, anúncios eram publicados nas redes sociais e em sites de comércio eletrônico oferecendo oportunidades relacionadas à compra de imóveis e veículos ou à contratação de consórcios.
A aparência profissional das empresas e dos anúncios ajudaria a reduzir a desconfiança das vítimas.
Após o contato inicial, os interessados eram direcionados para negociações nas quais eram solicitados pagamentos antecipados ou valores de entrada.
O dinheiro, segundo a PC-AM, acabava sendo desviado.
Investigados utilizavam “mapas mentais” nas abordagens
Outro elemento encontrado durante a investigação chamou a atenção da Polícia Civil.
Os integrantes do grupo suspeito de golpes em Manaus teriam recebido orientações padronizadas sobre como conversar com as vítimas.
Segundo as informações divulgadas, eram utilizados materiais descritos como “mapas mentais” ou “cartilhas”, que indicavam como os suspeitos deveriam conduzir as abordagens.
O objetivo seria reduzir erros durante as negociações e evitar comportamentos que pudessem despertar suspeitas.
Esses materiais também poderão ser analisados para identificar quem elaborava as estratégias e como as funções eram distribuídas dentro do grupo.
Operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva
A Operação Avalanche cumpriu 14 mandados de prisão preventiva.
Também foram executados 22 mandados de busca e apreensão e duas medidas cautelares alternativas.
As ordens judiciais tiveram como objetivo interromper as atividades investigadas, preservar provas e ampliar a identificação dos envolvidos.
A Polícia Civil não detalhou, nas informações iniciais divulgadas, quantas pessoas efetivamente foram presas durante o cumprimento das medidas.
Documentos e equipamentos foram apreendidos
Durante as buscas, policiais recolheram documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.
Celulares, computadores e registros financeiros eventualmente apreendidos poderão passar por perícia.
A análise deverá ajudar a reconstruir a comunicação entre os investigados, identificar novas vítimas e verificar a movimentação de recursos entre contas bancárias e empresas.
Os investigadores também buscam descobrir se outras pessoas participaram do esquema sem terem sido identificadas nas primeiras etapas do inquérito.
Justiça determinou bloqueio de ativos financeiros
Além dos mandados, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros vinculados aos investigados.
A medida busca impedir a transferência ou ocultação de recursos enquanto as apurações continuam.
O bloqueio também poderá permitir a retenção de valores eventualmente relacionados aos crimes investigados.
A Polícia Civil pretende rastrear a origem e o destino dos cerca de R$ 8 milhões que, segundo a apuração, teriam passado pela estrutura financeira do grupo em aproximadamente um ano.
Polícia investiga participação individual dos suspeitos
Apesar de a investigação apontar a existência de uma organização estruturada, a responsabilidade de cada investigado deverá ser individualizada.
Os materiais recolhidos durante a operação serão usados para identificar quem teria participado da captação das vítimas, das negociações, do recebimento dos pagamentos e da movimentação dos valores.
Também será investigado quem administrava as empresas utilizadas nas operações.
A existência de mandados judiciais e de investigação não representa condenação. Os suspeitos terão direito à defesa durante o processo.
Esquema envolvia diferentes tipos de negócios
A diversidade das ofertas é um dos aspectos investigados pela Polícia Civil.
O grupo teria explorado diferentes mercados para alcançar um número maior de possíveis vítimas.
Entre os negócios citados estão:
compra e venda de imóveis;
comercialização de veículos;
ofertas relacionadas a consórcios.
A polícia deverá verificar se havia empresas diferentes destinadas a cada modalidade ou se a mesma estrutura era utilizada para diversas negociações.
Investigação pode identificar novas vítimas
Com a deflagração da operação e a divulgação do caso, a Polícia Civil poderá receber novos relatos de pessoas que afirmem ter sido prejudicadas por negociações semelhantes.
Esses depoimentos podem ajudar a dimensionar o número total de vítimas e os valores envolvidos.
Também poderão ser confrontados contratos, comprovantes de transferências, conversas em aplicativos de mensagens e anúncios publicados na internet.
A análise desses elementos poderá confirmar ou modificar a estimativa inicial de movimentação financeira.
Apurações continuam após a Operação Avalanche
Mesmo após o cumprimento das medidas judiciais, a investigação continuará.
A PC-AM pretende analisar o material apreendido, aprofundar o rastreamento dos recursos e esclarecer a participação de cada investigado.
Novas diligências também poderão ser solicitadas à Justiça caso sejam encontrados outros envolvidos ou patrimônio relacionado às fraudes.
O grupo suspeito de golpes em Manaus poderá responder criminalmente conforme as condutas atribuídas a cada integrante e as provas reunidas ao longo do inquérito.
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