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terça-feira, agosto 25, 2026

Mulher resgatada de cativeiro em Goiás relata cinco dias de cárcere e sedação

Técnica de enfermagem de 24 anos afirma que foi dopada, acorrentada e mantida em quarto escuro pelo ex-companheiro em Águas Lindas de Goiás; suspeito foi localizado após ação policial.

A técnica de enfermagem Emiliane Tamara, de 24 anos, relatou os momentos de pânico vividos durante os cinco dias em que ficou mantida em cativeiro em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.

Segundo o relato da vítima, ela foi dopada, acorrentada e mantida sob efeito de medicamentos controlados pelo ex-companheiro, identificado como Ailton Rodrigues.

A mulher resgatada de cativeiro afirmou ainda que o crime teria sido planejado com antecedência e que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, encerrado cerca de três meses antes.

As informações fazem parte do relato da vítima e da apuração divulgada pela Band.

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Vítima foi até distribuidora para tratar da guarda dos filhos

Segundo Emiliane, o episódio começou quando ela foi até uma distribuidora mantida pelo ex-casal para discutir questões relacionadas à guarda dos filhos.

Ao chegar ao estabelecimento, ela afirma que o ex-companheiro utilizou uma substância química para dopá-la.

Depois disso, teria fechado as portas do local e transportado Emiliane inconsciente até um imóvel alugado.

Quarto era escuro e vítima ficou presa por correntes

A jovem relatou que permaneceu trancada em um quarto escuro, deitada sobre uma cama, com braços e pernas presos.

Ela disse ter sido imobilizada com correntes e algemas.

Ainda conforme o relato, o suspeito colocou uma máscara em seu rosto, dificultando sua visão e sua respiração durante parte do período em que permaneceu no local.

Crime teria sido planejado desde março

Emiliane afirma que Ailton Rodrigues vinha preparando o crime desde março.

O casal havia mantido um relacionamento por seis anos e, segundo a vítima, o suspeito nunca aceitou o término.

No início do cárcere, Emiliane contou que chegou a conseguir se soltar das primeiras amarras utilizando técnicas que havia aprendido quando participava de atividades de escotismo.

Depois disso, segundo ela, passou a ser presa com correntes.

Água teria sido misturada com clonazepam

Um dos pontos mais graves do relato diz respeito ao uso de medicamentos.

Segundo Emiliane, o suspeito fornecia água misturada com clonazepam, um medicamento de uso controlado.

A vítima afirmou que os sedativos a deixavam desorientada e sem força suficiente para reagir.

Ainda segundo o depoimento, as mãos eram liberadas apenas uma vez por dia ou até a cada dois dias para que ela pudesse comer pequenas porções de alimento.

Suspeito insistia para retomar relacionamento

Durante os dias de cárcere, o ex-companheiro teria insistido repetidamente para que Emiliane aceitasse retomar o relacionamento.

Segundo a vítima, ele afirmava ter armazenado comida suficiente para que os dois permanecessem no imóvel por um longo período.

Ela também relatou que o suspeito dizia que a vida de ambos terminaria caso ela não aceitasse voltar para ele.

Essas informações são atribuídas ao relato de Emiliane e ainda integram a investigação.

Vítima fingiu aceitar proposta para tentar sair

Em determinado momento, segundo a reportagem, Ailton teria apresentado duas alternativas à vítima.

Em uma delas, os dois permaneceriam presos no imóvel por tempo indeterminado.

Na outra, ele teria proposto transferir os bens do casal para Emiliane em troca de silêncio sobre os abusos e o cárcere.

A jovem contou que fingiu concordar com a proposta como forma de ganhar uma oportunidade de sair do local.

Suspeito deixou imóvel para buscar documentos

Depois da suposta concordância, Ailton deixou o imóvel para buscar documentos e procurar um advogado com o objetivo de formalizar a transferência patrimonial.

Poucas horas depois, equipes da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar de Goiás entraram no imóvel e encontraram Emiliane.

A mulher resgatada de cativeiro foi então retirada do local após cinco dias de cárcere.

Polícia apreendeu arma, correntes e medicamento

Na residência, os policiais apreenderam objetos que passaram a integrar a investigação.

Entre eles estavam:

  • uma pistola semiautomática calibre 9 mm;
  • munições;
  • algemas;
  • correntes;
  • frascos de clonazepam.

Segundo Emiliane, o ex-companheiro possuía registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e teria outras armas.

Caso segue sob investigação

As circunstâncias do sequestro, do cárcere e do uso de medicamentos continuam sendo apuradas pelas autoridades.

Os relatos atribuídos à vítima são elementos importantes da investigação, mas a responsabilidade criminal do suspeito deverá ser definida pela Justiça.

O caso também envolve violência praticada no contexto de uma relação anterior e deverá ser analisado à luz das provas reunidas pelas autoridades.

 

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