Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Roberta Luchsinger descrevendo relação de negócios com Fábio Luís Lula da Silva e Fernando Bittar; defesa de Lulinha nega irregularidades.
Mensagens sobre Lulinha entram no foco da Polícia Federal
Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram que a empresária e lobista Roberta Luchsinger dizia manter uma sociedade com Lulinha, como é conhecido Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os diálogos foram encontrados no celular da empresária, segundo reportagem da CNN Brasil. As mensagens haviam sido reveladas inicialmente pela revista Veja e foram confirmadas pela emissora.
Roberta e Lulinha são investigados em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas a possíveis negociações com órgãos do governo federal. A defesa do empresário nega irregularidades, enquanto os advogados da lobista informaram que não comentariam o conteúdo por causa do sigilo das investigações.
Lobista dizia que os três eram “uma coisa só”
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Roberta menciona Lulinha e o empresário Fernando Bittar e afirma que os três mantinham uma relação próxima na condução de interesses econômicos.
Segundo a CNN, a empresária escreveu em janeiro de 2024 que ela, Fábio Luís e Fernando Bittar eram “uma coisa só” e descreveu os três como irmãos.
Na mesma conversa, Roberta afirmava que Lulinha tinha participação mais reservada e entrava diretamente nas tratativas quando considerava necessário.
A Polícia Federal passou a analisar essas mensagens como possível indício da existência de uma sociedade informal entre os envolvidos.
PF vê Lulinha como referência em projetos discutidos
Segundo relatório policial citado pela CNN, os investigadores avaliam que Lulinha aparecia nas conversas como uma espécie de “referência decisória” nos projetos discutidos pelo grupo.
A PF também aponta a hipótese de que ele fosse beneficiário indireto de articulações conduzidas por outras pessoas em seu nome.
Em outro relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, a corporação afirmou ter identificado uma “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha e Roberta e levantou a suspeita de uma “sociedade oculta” envolvendo também Fernando Bittar.
Essas são conclusões preliminares da investigação e ainda não representam comprovação judicial de crime.
Grupo no WhatsApp discutia projetos
Roberta, Lulinha e Bittar também integravam um grupo no WhatsApp chamado “Musaranhos”, segundo a Polícia Federal.
De acordo com a investigação, o espaço era utilizado para discutir projetos e negociações relacionadas ao governo federal. A lobista se referia aos integrantes do grupo como “musos”.
Os investigadores analisam se essas conversas demonstram apenas relações pessoais e empresariais ou se houve atuação irregular para obter vantagens junto a órgãos públicos.
Roberta dizia agir em nome de Lulinha
Em outra mensagem analisada pela PF, Roberta teria indicado possuir autorização para representar interesses de Fábio Luís.
Segundo relatório enviado ao STF, a empresária afirmou a um interlocutor que era a pessoa que representava Lulinha nas tratativas, levando os investigadores a registrar que ela demonstrava ter “aparente autorização” para agir em nome dele.
A defesa de Lulinha contesta essa interpretação.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que Roberta mantinha uma relação de amizade próxima com a família de Fábio Luís, mas nega que ela tivesse autorização para representá-lo perante o governo federal.
Lulinha disse que lobista cuidava de suas finanças
Outra troca de mensagens identificada pela PF mostra Fábio Luís afirmando que Roberta cuidava de suas “finanças”.
Para os investigadores, esse e outros diálogos são relevantes para compreender a natureza da relação existente entre os dois.
A PF ainda analisa documentos, mensagens e demais dados obtidos durante as investigações antes de definir conclusões sobre eventual responsabilidade criminal.
Investigação envolve negócios de cannabis medicinal
Um dos inquéritos analisa a suspeita de atuação de Lulinha em negociações relacionadas à área de cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
Segundo a PF, a investigação busca esclarecer se houve tentativa de favorecer uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em tratativas para expansão de negócios envolvendo medicamentos pelo SUS.
A corporação apura possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência.
Até o momento, porém, não há condenação e as alegações ainda estão sob investigação.
Dataprev também aparece em outro inquérito
Outro procedimento autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, apura suspeitas envolvendo uma empresa de tecnologia e a Dataprev.
Segundo a CNN, a Polícia Federal investiga se Lulinha teria atuado para beneficiar a companhia em negociações com o órgão federal.
Há ainda uma terceira investigação, relatada pelo ministro Flávio Dino, que apura possível favorecimento de empresas junto ao governo federal.
PGR diz que investigação ainda não encontrou negócios concretizados
Apesar das suspeitas levantadas pela Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República apresentou uma avaliação mais cautelosa sobre o estágio atual das apurações.
Segundo parecer citado pela CNN, a PGR afirmou que, até o momento, não foram identificados negócios efetivamente concretizados envolvendo o governo federal.
A Procuradoria também sustenta que não foi identificada participação de autoridade com foro por prerrogativa de função e, por esse motivo, pediu que parte das investigações seja enviada à primeira instância.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Lulinha afirma que ele não cometeu irregularidades e critica a divulgação fragmentada de informações da investigação.
Em manifestação mais recente, o advogado Marco Aurélio de Carvalho também questionou a interpretação da Polícia Federal sobre a existência de interesses econômicos comuns e afirmou que há uso político de vazamentos do inquérito.
Já a defesa de Roberta Luchsinger criticou o vazamento de informações sigilosas e afirmou que a divulgação pode prejudicar a investigação e atingir pessoas antes da conclusão das apurações.
Inquéritos continuam em andamento
As mensagens já foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal e integram os inquéritos em andamento.
A Polícia Federal ainda realiza análises técnicas dos dados obtidos e deve continuar aprofundando as relações financeiras e empresariais citadas nas conversas.
Neste estágio, Lulinha e Roberta Luchsinger são investigados, não condenados.
As mensagens e interpretações apresentadas pela PF são elementos de uma apuração ainda em curso e deverão ser confrontados com a manifestação das defesas e demais provas reunidas antes de qualquer conclusão judicial.
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