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terça-feira, agosto 25, 2026

Gasolina passa a ter 32% de etanol a partir de sábado

A gasolina comercializada no Brasil passará a conter 32% de etanol anidro a partir deste sábado, 1º de agosto. Atualmente, o percentual obrigatório é de 30%.

A nova composição, chamada de gasolina E32, foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida terá duração inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período.

O governo federal afirma que a mudança busca ampliar o uso de biocombustíveis produzidos no país, reduzir a dependência da gasolina importada e diminuir a exposição do mercado brasileiro às oscilações internacionais do petróleo.

Entenda o que muda na gasolina

A gasolina vendida nos postos brasileiros já é uma mistura de gasolina pura, conhecida como gasolina A, com etanol anidro.

Até esta sexta-feira (31), cada 100 litros de gasolina comum comercializada ao consumidor contêm 30 litros de etanol. Com a nova regra, essa proporção passará para 32 litros de etanol e 68 litros de gasolina de origem fóssil.

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A alteração vale para a gasolina comercializada em todo o território nacional. Para o consumidor, não haverá necessidade de escolher um novo tipo de combustível ou solicitar uma mistura diferente no momento do abastecimento.

A adequação será realizada pelas distribuidoras antes que o produto chegue aos postos.

Governo espera reduzir importação de gasolina

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a elevação do percentual poderá fazer o Brasil deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, considerando a manutenção da nova composição.

A medida foi adotada em meio à volatilidade do mercado internacional de petróleo e ao aumento dos custos dos combustíveis fósseis provocado pelos conflitos no Oriente Médio.

Ao substituir uma parcela maior da gasolina por etanol produzido no país, o governo pretende fortalecer o abastecimento interno e diminuir a necessidade de adquirir combustível no exterior.

Preço pode cair nos postos?

O governo considera que a maior presença de etanol pode ajudar a reduzir o custo da gasolina. No entanto, isso não significa que o preço cairá automaticamente em todos os postos a partir de sábado.

No Brasil, os preços dos combustíveis são livres. O valor pago pelo motorista depende de diferentes fatores, como preço nas refinarias, custo do etanol, impostos, transporte e margens das distribuidoras e dos postos.

Por isso, qualquer redução dependerá do comportamento desses componentes e do repasse realizado pelas empresas ao consumidor final.

Em Manaus e em outras cidades distantes dos principais centros produtores de etanol, os custos logísticos também podem influenciar o valor final.

Governo afirma que testes não identificaram impactos relevantes

O Ministério de Minas e Energia informou que a decisão foi subsidiada por estudos técnicos coordenados pela pasta e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo o governo, os ensaios analisaram veículos leves e motocicletas representativos da frota nacional. Os testes avaliaram o desempenho da nova mistura e não teriam identificado impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive nos modelos que não utilizam tecnologia flex.

A Lei do Combustível do Futuro permite que o teor de etanol anidro na gasolina seja elevado gradualmente, desde que a mudança seja respaldada por avaliações técnicas.

Anfavea pediu estudos adicionais antes da mudança

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores e o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores manifestaram preocupação com a adoção do E32.

As entidades afirmaram que os testes realizados até então não seriam suficientes para avaliar todos os efeitos da mistura sobre a frota brasileira.

Segundo o setor automotivo, seriam necessários estudos específicos sobre durabilidade de componentes, emissões, consumo, autonomia e funcionamento prolongado, especialmente em veículos antigos e importados.

A Anfavea argumentou que os ensaios anteriores avaliaram principalmente desempenho e dirigibilidade, mas não permitiriam garantir a compatibilidade da mistura com toda a frota em circulação.

Medida é temporária e será acompanhada

A elevação para 32% terá vigência inicial de seis meses. Durante esse período, o governo e os órgãos reguladores deverão acompanhar o abastecimento, os preços e o desempenho do combustível.

Ao final dos 180 dias, o CNPE poderá encerrar a medida ou prorrogá-la por mais seis meses.

O caráter temporário foi adotado em razão do cenário internacional e da necessidade de ampliar a segurança energética do país. A decisão também permite que o governo avalie os resultados antes de tornar a composição permanente.

Motoristas não precisam fazer alterações nos veículos

De acordo com a posição do governo, os proprietários de veículos não precisarão realizar ajustes no motor ou no sistema de alimentação para abastecer com a gasolina E32.

Nos veículos flex, a central eletrônica já trabalha com diferentes proporções entre gasolina e etanol. Em carros movidos somente a gasolina, o governo também afirma que a mistura aprovada está dentro dos parâmetros avaliados nos testes.

Apesar disso, proprietários de veículos antigos, importados ou com orientações específicas do fabricante podem consultar o manual e buscar informações na concessionária ou montadora.

Caso o veículo apresente falhas, aumento anormal no consumo, dificuldade de partida ou acendimento de luzes de advertência após o abastecimento, a recomendação é procurar uma oficina qualificada e guardar a nota fiscal do posto.

Qualidade do combustível continuará fiscalizada pela ANP

Os postos deverão comercializar combustível dentro das especificações definidas pelas autoridades reguladoras.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis fiscaliza a qualidade da gasolina e pode aplicar sanções em casos de adulteração ou venda fora dos padrões.

A presença de 32% de etanol não significa que os postos poderão adicionar quantidades superiores por conta própria. Percentuais acima do limite permitido podem caracterizar combustível irregular.

O consumidor que suspeitar de adulteração deve solicitar a nota fiscal, registrar as condições do abastecimento e encaminhar denúncia aos órgãos de fiscalização e defesa do consumidor.

Leia também: Mendonça autoriza PF a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência

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