Número caiu 9,2% entre 2024 e 2025, segundo o IBGE. Região Norte apresentou a maior proporção, com 6,3% da população de 5 a 17 anos.
Quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes estavam em situação de trabalho infantil no Brasil em 2025. O total, divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corresponde a 4% da população brasileira de 5 a 17 anos.
Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostram redução de 9,2% em relação a 2024, quando o contingente era de 1,65 milhão. Na comparação com 2016, a queda chegou a 28,6%.
Apesar da redução nacional, o levantamento aponta diferenças entre as regiões. O Norte apresentou a maior proporção de crianças e adolescentes nessa condição, com 6,3%. O indicador se refere à região e não representa, isoladamente, a taxa do Amazonas.
Mais de 500 mil estavam nas piores formas de trabalho
Entre as 1,499 milhão de pessoas identificadas pela pesquisa, 525 mil exerciam ocupações classificadas como piores formas de trabalho infantil. A categoria reúne atividades que oferecem riscos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Esse contingente caiu em relação a 2024, quando eram 560 mil, e atingiu o menor patamar da série apresentada pelo IBGE.
Adolescentes concentram maior proporção
Na faixa de 5 a 13 anos, o levantamento identificou 280 mil crianças em situação de trabalho infantil, equivalentes a 1,1% da população dessa idade.
Entre adolescentes de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. No grupo de 16 e 17 anos, o total chegou a 871 mil, correspondendo a 14,5%.
A pesquisa também revelou jornadas extensas: em 21,4% dos casos, o trabalho ocupava 40 horas semanais ou mais.
Diferenças sociais e regionais
O Sudeste reuniu o maior contingente em números absolutos, com 481 mil crianças e adolescentes. O Nordeste apareceu em seguida, com 408 mil.
Embora tenha o maior número absoluto, o Sudeste registrou a menor proporção em relação à população de 5 a 17 anos, com 3,3%.
No recorte por sexo, 65,4% das pessoas em situação de trabalho infantil eram do sexo masculino. Pretos e pardos correspondiam a 67% do total, acima de sua participação na população dessa faixa etária, de 59,7%.
Bolsa Família e renda
Entre moradores de domicílios atendidos pelo Bolsa Família, o contingente em situação de trabalho infantil caiu 41% de 2016 a 2025. No conjunto da população, a redução no período foi de aproximadamente 29%.
O pesquisador do IBGE Gustavo Fontes apontou que diferentes fatores podem ter contribuído para a queda, incluindo políticas públicas, transferência de renda, aumento dos rendimentos e aquecimento do mercado de trabalho.
Com informações da Agência Brasil, com base na Pnad do IBGE.
