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sexta-feira, setembro 4, 2026

Relatos de pacientes expõem espera e falta de leitos no Complexo Hospitalar Sul em Manaus

Famílias relatam demora no atendimento e permanência de pacientes em áreas do complexo hospitalar.

Superlotação gera denúncias em hospital de Manaus: O Complexo Hospitalar Sul, em Manaus, formado pelo Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e pelo Instituto da Mulher Dona Lindu, passou a ser alvo de reclamações de pacientes e familiares sobre demora no atendimento, falta de leitos e dificuldades para conseguir vagas em unidades de terapia intensiva (UTI).

Os relatos foram apresentados em uma reportagem da Rede Amazônica publicada nesta quinta-feira (3). Familiares de pacientes afirmaram que a estrutura estava lotada e que algumas pessoas permaneciam em espaços de circulação enquanto aguardavam atendimento ou transferência.

A administração do complexo, entretanto, apresentou uma versão diferente sobre as imagens divulgadas. Segundo a unidade, os locais mostrados fazem parte do fluxo do pronto-socorro e não correspondem a áreas destinadas à internação.

Família relata piora no quadro de paciente internado

Um dos casos relatados envolve um homem que estava internado desde 10 de agosto, após sofrer um infarto. Segundo a família, também foram identificados problemas nos pulmões e nos rins.

A filha do paciente afirmou que, inicialmente, ele permaneceu na chamada sala vermelha enquanto aguardava uma vaga de UTI. De acordo com o relato, posteriormente ele foi encaminhado para uma enfermaria.

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A familiar afirmou ainda que o estado de saúde do pai teria se agravado durante o período de internação. Ela também relacionou a evolução de um problema no pé à falta de cuidados que, segundo sua avaliação, deveriam ter sido realizados durante a permanência no hospital.

O caso é apresentado na reportagem como um relato da família. Não há, nas informações divulgadas, confirmação independente de que a eventual necessidade de amputação tenha sido causada por falha no atendimento hospitalar.

H3: Governo afirma que paciente recebeu acompanhamento

Em manifestação sobre os casos apresentados, o Governo do Amazonas informou que os pacientes citados receberam acompanhamento contínuo das equipes de saúde.

A declaração oficial contrapõe-se às reclamações apresentadas pelos familiares, que questionam a assistência recebida durante a internação.

Diante das versões diferentes, a responsabilidade por eventual falha na assistência depende da análise dos registros médicos, protocolos adotados e demais elementos que possam ser avaliados pelas autoridades competentes.

Mulher relata espera após perda de bebê

Outro caso citado na reportagem envolve Elaine Bentes Nogueira, que procurou atendimento no Instituto da Mulher Dona Lindu após perder um bebê de oito semanas.

Segundo familiares, Elaine permaneceu por aproximadamente dois dias aguardando a realização do procedimento necessário para a retirada do feto. A família afirmou que a paciente apresentava dores e que recebeu informações de profissionais sobre a existência de outros casos considerados mais urgentes.

Diante da situação, os familiares disseram ter procurado o Ministério Público para pedir providências. Posteriormente, de acordo com a reportagem, o procedimento foi realizado e Elaine recebeu alta.

O Governo do Amazonas, por sua vez, afirmou que o procedimento não ocorreu em razão de uma intervenção do Ministério Público.

Caso gerou questionamentos sobre tempo de espera

O episódio levantou questionamentos entre os familiares sobre os critérios utilizados para definir a prioridade dos atendimentos e sobre o tempo de espera enfrentado pela paciente.

A situação também reforça a importância de analisar cada caso individualmente, especialmente em unidades de urgência e emergência, nas quais a prioridade médica pode variar conforme a gravidade e o risco apresentado por cada paciente.

Complexo Hospitalar Sul atende casos de urgência e emergência

O Complexo Hospitalar Sul reúne duas unidades de referência da rede estadual de saúde. Conforme informações institucionais da organização responsável pela gestão, o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto possui 434 leitos, enquanto o Instituto da Mulher Dona Lindu conta com 176 leitos. As unidades funcionam 24 horas.

O 28 de Agosto concentra atendimentos de urgência e emergência, além de serviços clínicos, cirúrgicos e especializados. Já o Dona Lindu é voltado principalmente para atendimentos relacionados à saúde da mulher, incluindo serviços obstétricos, ginecológicos e neonatais.

A gestão do Complexo Hospitalar Sul é realizada pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), conforme contrato firmado com o Governo do Amazonas. Documento publicado no Diário Oficial do Estado registra a celebração do Contrato de Gestão nº 002/2024 entre a entidade e a Secretaria de Estado de Saúde.

Governo e administração contestam interpretação das imagens

Além dos relatos dos familiares, a reportagem também apresentou imagens que mostram pacientes e acompanhantes em áreas do complexo.

O Governo do Amazonas informou que os pacientes mencionados receberam acompanhamento contínuo. Já a administração do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto afirmou que os espaços mostrados nas imagens integram o fluxo do pronto-socorro e não são utilizados como áreas de internação.

A divergência entre os relatos e a explicação oficial reforça a necessidade de separar denúncias de fatos comprovados. A existência de reclamações não significa, por si só, que tenha ocorrido negligência ou irregularidade na assistência médica.

Situação chama atenção para estrutura e atendimento na saúde pública

Os casos relatados colocam novamente em discussão os desafios enfrentados por unidades de grande porte que concentram atendimentos de urgência e emergência em Manaus.

Para os familiares ouvidos na reportagem, a espera e as condições encontradas durante a permanência no complexo provocaram preocupação com a evolução dos pacientes.

Por outro lado, o Governo do Amazonas sustenta que os pacientes citados receberam acompanhamento das equipes, enquanto a administração hospitalar contesta que os espaços exibidos nas imagens sejam áreas de internação.

A apuração sobre eventuais falhas específicas depende da análise dos prontuários, dos procedimentos adotados e das circunstâncias de cada atendimento. Até que existam conclusões oficiais, os relatos de familiares devem ser tratados como denúncias e não como comprovação definitiva de negligência.

O episódio, porém, mantém em evidência a importância do acompanhamento da capacidade hospitalar, da disponibilidade de leitos e da qualidade da assistência prestada à população que depende da rede pública de saúde em Manaus.

 

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