Secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, afirmou que Washington trabalha com Colômbia, Equador e outros parceiros para levar ações contra organizações criminosas para operações em terra
EUA ampliam combate ao narcotráfico: Os Estados Unidos avaliam ampliar sua estratégia militar de combate ao narcotráfico na América Latina para além das ações realizadas contra embarcações suspeitas de transportar drogas. A possibilidade foi apresentada pelo secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, durante uma agenda no Panamá, na quarta-feira (12).
Segundo Hegseth, o governo dos Estados Unidos trabalha com Colômbia, Equador e outros parceiros para desenvolver operações contra organizações classificadas pelo governo americano como terroristas. A declaração ocorreu durante um encontro relacionado à cooperação regional contra o narcotráfico.
A fala, entretanto, não significa que os Estados Unidos já estejam realizando operações terrestres em outros países da América Latina. O que foi anunciado é a intenção de ampliar a capacidade de atuação e desenvolver ações conjuntas com países parceiros.
Hegseth fala em operações contra grupos de narcotráfico
Durante o encontro, Hegseth afirmou que a estratégia utilizada contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico poderá ter um equivalente em terra.
“Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs [organizações designadas como terroristas] em terra.”
O secretário também declarou que grupos envolvidos com tráfico de drogas ou que, segundo a avaliação americana, representem ameaça aos Estados Unidos ou a seus parceiros poderão ser considerados alvos da estratégia.
A declaração amplia o alcance anunciado pela administração de Donald Trump para o combate às organizações criminosas transnacionais. Segundo informações divulgadas após o encontro, a Colômbia passou a integrar uma coalizão liderada pelos Estados Unidos voltada ao enfrentamento dos cartéis e de outras redes criminosas.
Colômbia passa a ter papel central na iniciativa
A aproximação com a Colômbia ganhou força após a posse do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella. De acordo com a Associated Press, Hegseth afirmou que o governo colombiano solicitou cooperação dos Estados Unidos para operações militares conjuntas contra grupos classificados como organizações terroristas.
A Reuters também informou que Washington propôs ações militares conjuntas com a Colômbia contra grupos armados considerados terroristas pelos Estados Unidos, incluindo o Exército de Libertação Nacional (ELN) e remanescentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O cenário representa uma mudança importante na política de segurança regional e ocorre em meio ao fortalecimento da cooperação militar entre Washington e governos latino-americanos alinhados à estratégia de combate ao narcotráfico.
PCC e Comando Vermelho estão na lista dos EUA
A política americana também alcança organizações criminosas brasileiras.
Em maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A classificação passou a valer oficialmente após a publicação no Federal Register, em 5 de junho de 2026.
A decisão faz parte da legislação norte-americana e produz efeitos dentro do sistema jurídico dos Estados Unidos. Portanto, é importante destacar que a classificação como organização terrorista é uma decisão do governo americano e não equivale automaticamente a uma classificação do governo brasileiro.
O Departamento de Estado justificou a medida alegando que as duas organizações possuem atuação além das fronteiras brasileiras e envolvimento com atividades criminosas transnacionais.
Designação não significa ataque ao Brasil
Apesar da inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista americana, não há confirmação de que os Estados Unidos tenham anunciado uma operação militar contra essas facções em território brasileiro.
A declaração de Hegseth sobre operações terrestres foi feita no contexto da cooperação com países como Colômbia e Equador. Por isso, não é possível afirmar, com base nas informações disponíveis, que o Brasil será alvo de uma ação militar americana.
Esse cuidado é especialmente importante porque a declaração do secretário foi ampla e mencionou a possibilidade de atuação contra organizações de narcotráfico onde elas operem. A aplicação concreta dessa estratégia dependerá das decisões políticas e militares dos Estados Unidos e dos acordos estabelecidos com cada país.
Estratégia americana amplia combate ao narcotráfico
A declaração ocorre depois de uma campanha militar americana contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, essas operações deixaram mais de 200 mortos desde o início da campanha.
Agora, Washington sinaliza a intenção de desenvolver capacidades semelhantes para ações terrestres.
Hegseth afirmou que, inicialmente, os Estados Unidos pretendem trabalhar com países aliados para estabelecer uma estrutura operacional capaz de atingir redes de narcotráfico em terra.
A estratégia poderá envolver grupos relacionados ao comércio de cocaína e também organizações ligadas ao tráfico de fentanil, especialmente na região do México. O governo americano também considera grupos armados colombianos como possíveis alvos.
Brasil acompanha mudança na política de segurança dos EUA
Embora não faça parte da iniciativa militar citada por Hegseth, o Brasil aparece no contexto da nova política americana devido à classificação do PCC e do Comando Vermelho.
A decisão dos Estados Unidos já provocou preocupação no governo brasileiro e levantou discussões sobre os possíveis efeitos da designação para a cooperação internacional e para a soberania nacional. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou a afirmar que a classificação poderia abrir discussões sobre a possibilidade de ações americanas em território brasileiro, embora isso não signifique que exista uma operação militar em andamento.
Para evitar interpretações incorretas, é necessário separar a classificação jurídica americana das facções brasileiras da possibilidade de operações militares em outros países.
Até o momento, as informações confirmadas indicam que os Estados Unidos estão ampliando a cooperação militar antidrogas com governos latino-americanos e que Hegseth defendeu a possibilidade de ações terrestres contra organizações consideradas terroristas por Washington. Não há, porém, confirmação de uma operação militar americana contra o PCC ou o Comando Vermelho em território brasileiro.
Cooperação regional entra em nova fase
A entrada da Colômbia na coalizão liderada pelos Estados Unidos reforça a mudança na estratégia de segurança regional. O governo americano pretende aumentar a integração com países dispostos a combater organizações criminosas por meio de ações coordenadas.
A proposta também amplia o debate sobre os limites das operações militares contra grupos de narcotráfico e sobre a soberania dos países envolvidos.
No caso brasileiro, a principal informação confirmada permanece sendo a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. Qualquer eventual operação militar em território nacional dependeria de circunstâncias e decisões que, até o momento, não foram anunciadas oficialmente.
