25.3 C
Manaus
terça-feira, agosto 25, 2026

PF investiga senador Weverton Rocha em nova fase da Operação Sem Desconto

A PF investiga o senador Weverton Rocha em uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta terça-feira (4) para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentações patrimoniais relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

O parlamentar do PDT pelo Maranhão está entre os investigados na operação, que cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.

As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A abertura da investigação e o cumprimento das buscas não representam condenação ou comprovação definitiva dos crimes atribuídos aos investigados.

Investigação apura movimentações financeiras e patrimoniais

Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de movimentações realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie.

A nova etapa busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, os objetivos dos repasses e a participação individual de cada pessoa investigada.

Publicidade

A Operação Sem Desconto apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Em fases anteriores, a PF investigou possíveis crimes de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas públicos e ocultação patrimonial.

PF atribui ao senador participação em demandas e repasses

Na representação apresentada ao Supremo, os investigadores afirmaram que Weverton Rocha apareceria em comunicações relacionadas à formulação de demandas, indicação de beneficiários e acompanhamento de pagamentos.

A PF também menciona suposta atuação do senador em tratativas sobre imóveis e decisões patrimoniais.

De acordo com o material encaminhado ao STF, o parlamentar apareceria como responsável por “formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.

As afirmações integram a linha investigativa da Polícia Federal e ainda deverão ser confrontadas com as explicações das defesas e com os demais elementos reunidos no inquérito.

Esposa do senador teria recebido mais de R$ 11 milhões

A investigação também analisa repasses destinados a pessoas próximas ao parlamentar.

Segundo as informações apresentadas pela PF, Samya Rocha, esposa de Weverton, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz de Souza.

Os investigadores deverão verificar a origem dos valores, os serviços ou negócios usados para justificar as transferências e se houve ligação com recursos provenientes das irregularidades investigadas no INSS.

O recebimento de valores, isoladamente, não comprova a prática de crime. A apuração deverá determinar se as operações tinham justificativa econômica e origem lícita.

Advogado é apontado como integrante central da estrutura

O advogado Willer Tomaz de Souza também está entre os principais nomes mencionados na investigação.

Segundo a Polícia Federal, ele seria integrante central de uma estrutura que envolveria empresas, imóveis, aeronaves, operadores financeiros e interlocutores políticos.

A corporação procura esclarecer se esse conjunto de pessoas e bens foi utilizado para ocultar recursos, dificultar o rastreamento de valores ou distribuir vantagens entre os envolvidos.

Entre os alvos das buscas estão familiares do senador, empresários, operadores financeiros e escritórios de advocacia citados no inquérito.

Mendonça afirma que indícios superam conjecturas

Ao autorizar as medidas, André Mendonça afirmou que os elementos apresentados pela Polícia Federal ultrapassam o campo de meras hipóteses.

Segundo trecho divulgado da decisão, existe “correlação temporal entre comunicações, aportes e cobranças”.

A avaliação permitiu o cumprimento dos mandados para recolher documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar na reconstrução das movimentações financeiras.

Em outras fases da Operação Sem Desconto, o ministro também autorizou medidas de busca, prisão e restrição patrimonial solicitadas pela PF, com manifestação do Ministério Público Federal.

Operação ocorre no Maranhão e no Distrito Federal

Os 18 mandados foram cumpridos em endereços localizados no Maranhão e no Distrito Federal.

A Polícia Federal não apresentou, no comunicado inicial, um balanço completo dos objetos apreendidos durante as diligências desta terça-feira.

Celulares, computadores, documentos, registros bancários e contratos eventualmente recolhidos poderão passar por perícia.

A análise desse material deverá verificar se houve circulação de recursos entre empresas, contas de terceiros e pessoas relacionadas aos investigados.

Senador já havia sido alvo de buscas em fase anterior

Weverton Rocha já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em dezembro de 2025, durante outra fase da Operação Sem Desconto.

Naquela ocasião, a PF e a Controladoria-Geral da União cumpriram 52 mandados de busca e 16 de prisão preventiva em seis estados e no Distrito Federal. A operação investigava descontos associativos não autorizados, além de possíveis atos de ocultação e dilapidação de patrimônio.

A nova fase aprofunda a apuração sobre as relações financeiras e patrimoniais atribuídas ao núcleo investigado.

O que é a Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto foi criada para investigar cobranças associativas realizadas diretamente em benefícios previdenciários sem autorização válida dos aposentados e pensionistas.

As apurações analisam contratos firmados por entidades associativas, dados inseridos nos sistemas do INSS e o caminho percorrido pelo dinheiro descontado.

A PF também tenta identificar agentes públicos, empresários, intermediários e operadores financeiros que possam ter participado do esquema.

Desde 2025, diferentes fases cumpriram dezenas de mandados em vários estados. Entre os crimes investigados estão estelionato previdenciário, organização criminosa, corrupção, inserção de dados falsos e lavagem de dinheiro.

Investigação não representa condenação

A PF investiga o senador Weverton Rocha, mas o parlamentar não foi condenado pelos fatos mencionados nesta fase da operação.

A Polícia Federal ainda deverá examinar o material apreendido, tomar depoimentos e confrontar as movimentações financeiras com documentos e justificativas apresentadas pelos envolvidos.

Depois da conclusão das diligências, a corporação poderá arquivar suspeitas, solicitar novas medidas ou encaminhar relatório ao Ministério Público.

Caberá à Procuradoria-Geral da República avaliar se existem elementos suficientes para apresentar uma eventual denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

Defesas ainda devem se manifestar

Até a divulgação inicial da operação, a Agência Brasil aguardava manifestações de Weverton Rocha e dos demais investigados.

As versões das defesas deverão ser acrescentadas à apuração e consideradas pelas autoridades responsáveis pelo inquérito.

Por envolver um senador da República, o caso tramita no STF devido ao foro por prerrogativa de função.

Enquanto não houver decisão judicial definitiva, todos os investigados devem ser considerados inocentes.

Com informações de Agência Brasil

 

Leia também: Concurso da Seduc-AM terá 7.862 vagas efetivas

Artigos Relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Pode Gostar