Viagem batizada de “Êxodo” ignora recomendações do Itamaraty e gera forte repercussão nas redes
Marçal em Israel com 220 pessoas: O ex-coach e hoje influenciador político Pablo Marçal levou 220 brasileiros em uma mentoria internacional batizada de “Êxodo”, com passagem por Egito, Jordânia e Israel — mesmo em um período de forte tensão militar na região. O grupo chegou a cruzar a fronteira israelense em 25 de junho, poucos dias após bombardeios entre Israel e Irã e ainda sob alerta oficial do Itamaraty, que desaconselha viagens à região.
Apesar do risco, Marçal declarou que “o propósito da jornada é espiritual, não turístico”, e afirmou que a entrada em Israel foi autorizada pelas autoridades locais.
“Não somos 200 turistas, somos 200 governantes. Estamos sendo curados na alma, no espírito e no corpo”, declarou em uma live.
Viagem ocorre logo após cessar-fogo entre Israel e Irã
A chegada da caravana em Israel aconteceu um dia após a confirmação de um cessar-fogo temporário entre Israel e Irã, anunciado em 24 de junho. O timing da entrada chamou atenção, já que Israel ainda enfrenta tensões internas e ameaças de novos conflitos nas fronteiras.
A programação inclui visitas a locais considerados sagrados por diferentes religiões, mas a presença de um grupo tão grande em meio à instabilidade regional gerou críticas de especialistas e de órgãos diplomáticos.
Itamaraty emite alerta, mas grupo ignora
Desde outubro de 2023, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil mantém um alerta para que brasileiros evitem deslocamentos a Israel e territórios palestinos, especialmente por conta dos conflitos com o Hamas e agora com o Irã.
A viagem de Marçal, no entanto, não solicitou apoio oficial do Itamaraty, nem comunicou à embaixada brasileira em Tel Aviv. Questionado por jornalistas, o ministério informou que não reconhece o evento como missão oficial e que o grupo viajou por conta e risco próprios.
Viagem pode ter custado até R$ 77 mil por participante
O “Êxodo” foi comercializado por valores que chegavam a R$ 77 mil por pessoa, incluindo hospedagens de luxo e uma agenda de palestras com o próprio Marçal, que também é réu na Justiça por um episódio ocorrido em 2022, quando levou 32 pessoas para uma trilha no Pico dos Marins (SP) em meio a fortes chuvas.
A nova empreitada levanta questionamentos sobre a segurança dos participantes e a real finalidade do evento. Nas redes sociais, muitos usuários apontaram o risco de “um novo caso de negligência em massa”, enquanto apoiadores de Marçal defendem a coragem do grupo em “enfrentar seus medos”.
Esposa de Marçal teria sido agredida na Jordânia
Durante a travessia do grupo pela Jordânia, foi registrado um episódio de agressão contra a esposa de Pablo Marçal, após ela mencionar o nome “Israel” em público, segundo relatos publicados pelo próprio influenciador. Ele afirmou que a situação gerou tensão com a população local, mas foi contornada sem maiores consequências.
A publicação gerou debate entre seguidores sobre a imprudência de expor participantes a cenários de hostilidade sem preparação diplomática ou apoio de segurança internacional.
Repercussão nas redes e desdobramentos
No X (antigo Twitter), a hashtag #ÊxodoMarçal viralizou. Críticos chamaram o evento de “irresponsável” e o compararam a “uma seita moderna em missão suicida”. Já apoiadores celebram a “fé e liderança” do ex-coach.
A expectativa é que o grupo retorne ao Brasil até o fim de junho, mas Pablo afirmou que a jornada “não tem data para acabar” e que “apenas Deus dirá o fim do caminho”.
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